Chama-se em mim esse planeta Janeiro, para já, nesta almejada libertação. Devo confessar que, apesar do esforço que fiz nos últimos meses para me manter no caminho certo, deixei que Dezsembro corrompesse a minha rectidão. Levanto-me da cama de manhã e ponho os pés nas nuvens, peço desculpa aos anjos por lhes pisar os caracóis e sigo em direcção à loucura emocional.
Por uma vez, gostava de não pensar em nada disto, e simplesmente deixar que o tempo se encarregue de colocar tudo no seu lugar. Poder ficar a olhar para o state of affairs apenas contemplando (e admirando) o meu poder para lançar a confusão no meu mundo.
Acima de tudo, observando a suprema ironia que é recusar com desprezo aquilo que se quis com todas as forças durante um significativo conjunto de tempos. Agora, nem que pinte o meu coração de ouro: esses sentimentos, não há maneira de voltar.
12.28.2004
12.24.2004
Something happens and I'm head over heels
Véspera de Natal solarenga, no ar do meu quarto respira-se Tears for Fears e eu deparo-me com uma nova encruzilhada. Nenhuma decisão é certa antes que o imprevisível nos salte ao caminho. Há assim sombras que me confundem, nesta época doce de Navidad.
Deitei o lixo fora há algumas noites, isso é irreversível. Mas quando surgem duas prendas e só se pode escolher uma, o que se faz? Não posso rasgar o papel antes de decidir.
Swear to God, sometimes the only thing I feel like doing is blowing it all up.
Deitei o lixo fora há algumas noites, isso é irreversível. Mas quando surgem duas prendas e só se pode escolher uma, o que se faz? Não posso rasgar o papel antes de decidir.
Swear to God, sometimes the only thing I feel like doing is blowing it all up.
12.19.2004
I'm a Santa
Sempre que chega o Natal eu não sou atacada de melancolia, mas sim da sensação que algo me está a escapar. Está difícil, isto. Obrigo-me a concentrar no inexplicável regresso do D., mas o R. continua a viver na minha cabeça noite e dia, noite e dia, até à exaustão de princípios.
Tal como me avisou o meu anjo H., é preciso ter inteligência emocional. E eu tomei a decisão certa, mas quem diz que isso arranca de uma vez aquilo que já estava enraízado dentro de mim? Diz o H. que não percebe, porque ele é tão diferente de mim, precisa de alguém do nível dele. Não sei o que é isso do nível. Eu sei que gosto e sofro, é só.
Tal como me avisou o meu anjo H., é preciso ter inteligência emocional. E eu tomei a decisão certa, mas quem diz que isso arranca de uma vez aquilo que já estava enraízado dentro de mim? Diz o H. que não percebe, porque ele é tão diferente de mim, precisa de alguém do nível dele. Não sei o que é isso do nível. Eu sei que gosto e sofro, é só.
12.13.2004
" No sleep for dreaming" say the architects of life
Por vezes fraquejo. E logo endireito as costas, faço-me rígida, repito interiormente: «é pau na bunda». Algo em mim pretende sabotar-me, porque é mais fácil ceder; mas raios me partam se não hei-de conseguir. I WILL pull this off.
It's in the way you're always hiding from the light, see for yourself: you have been sitting on a time bomb.
It's in the way you're always hiding from the light, see for yourself: you have been sitting on a time bomb.
Insomnia
Cinco e vinte e seis da manhã, não consigo dormir mais. Entre sonhos confusos e uma sensação de que "something is hapenning out there", a minha cabeça não consegue descansar. O meu projecto é tão feroz e tão sacrificante que toma conta de todos os pensamentos. Até porque eu consigo ver a extensão dos resultados, e torna-se difícil não ficar obcecada por eles.
Por outro lado, penso no Duarte. Tenho ciúmes daquela ex-namorada que veio passar cá as férias do Natal e não lhe larga o telemóvel. Mesmo que ele me diga que já não sente nada, que ela foi uma vaca com ele, há sempre uma pontinha de dúvida: e esta ponta dá cabo de mim. R, toda a razão, obsessiva-compulsiva. Não deixo que isto me afecte demasiado, aprendi muitas lições úteis ao longo do último ano e estou a pô-las em prática. Também me apraz fenomenalmente que tenha sido ele a vir atrás de mim, depois tudo o que eu batalhei e que julguei ter perdido. Confesso que não pensava que isto fosse possível. O Duarte, a grande paixão da minha vida, a telefonar todos os dias? «Olho para a frente e vejo-te a ti», disse-me, «e se é a ti que quero, vou atrás, sabes que sou muito directo».
As voltas que o mundo dá só surpreendem os mais desatentos. Afinal, não precisei de fazer nada para conseguir aquilo que em dois anos não me foi possível. Apenas existir. Porque será que ele não me esqueceu? Porque será que marquei tanto uma pessoa que é de longe a mais bonita e perfeita que já conheci ( e não, não estou a ser exagerada nem injusta com ninguém)?
Quando penso nas pessoas que me traíram ou me fizeram mal de alguma maneira, percebo que o problema foi eu ter colocado demasiado altas expectativas que nunca poderiam ser cumpridas. Esqueci-me que quanto mais baixo é o nivel intelectual e emocional, maior a probabilidade de não perceberem quem é realmente importante. Além do mais, a merda atrai a porcaria, portanto não posso surpreender-me de todo quando sei que fulano se meteu com sicrana. É tudo bosta da mesma vaca.
Livre, portanto, destes inconvenientes, e em paz com o meu passado, quero mesmo ser para o Duarte o que pretendo que ele seja para mim: tudo. Nem me venham com conversas de que isto é romantismo ultrapassado e que hoje a moda é namorar pelado (kkkkkkkkkk). Eu quero ser assim, mulher de um homem só, um tesouro nas suas mãos, quero que ele levante as mãos ao céu e agradeça todos os dias por eu estar com ele. Nenhum amor existe se o seu objecto não for sobrevalorizado. And I love him so dearly!
Por outro lado, penso no Duarte. Tenho ciúmes daquela ex-namorada que veio passar cá as férias do Natal e não lhe larga o telemóvel. Mesmo que ele me diga que já não sente nada, que ela foi uma vaca com ele, há sempre uma pontinha de dúvida: e esta ponta dá cabo de mim. R, toda a razão, obsessiva-compulsiva. Não deixo que isto me afecte demasiado, aprendi muitas lições úteis ao longo do último ano e estou a pô-las em prática. Também me apraz fenomenalmente que tenha sido ele a vir atrás de mim, depois tudo o que eu batalhei e que julguei ter perdido. Confesso que não pensava que isto fosse possível. O Duarte, a grande paixão da minha vida, a telefonar todos os dias? «Olho para a frente e vejo-te a ti», disse-me, «e se é a ti que quero, vou atrás, sabes que sou muito directo».
As voltas que o mundo dá só surpreendem os mais desatentos. Afinal, não precisei de fazer nada para conseguir aquilo que em dois anos não me foi possível. Apenas existir. Porque será que ele não me esqueceu? Porque será que marquei tanto uma pessoa que é de longe a mais bonita e perfeita que já conheci ( e não, não estou a ser exagerada nem injusta com ninguém)?
Quando penso nas pessoas que me traíram ou me fizeram mal de alguma maneira, percebo que o problema foi eu ter colocado demasiado altas expectativas que nunca poderiam ser cumpridas. Esqueci-me que quanto mais baixo é o nivel intelectual e emocional, maior a probabilidade de não perceberem quem é realmente importante. Além do mais, a merda atrai a porcaria, portanto não posso surpreender-me de todo quando sei que fulano se meteu com sicrana. É tudo bosta da mesma vaca.
Livre, portanto, destes inconvenientes, e em paz com o meu passado, quero mesmo ser para o Duarte o que pretendo que ele seja para mim: tudo. Nem me venham com conversas de que isto é romantismo ultrapassado e que hoje a moda é namorar pelado (kkkkkkkkkk). Eu quero ser assim, mulher de um homem só, um tesouro nas suas mãos, quero que ele levante as mãos ao céu e agradeça todos os dias por eu estar com ele. Nenhum amor existe se o seu objecto não for sobrevalorizado. And I love him so dearly!
12.11.2004
Back from the States
E aqui estou eu de volta, para o resto da minha vida. Foi uma viagem inesquecível, em todo e cada pormenor. O concerto dos Tears for Fears, inexplicável. O hotel, a Union Square, Chinatown, o Macy's, a Niketown, o Moscone Center... Pela primeira vez em toda a minha longa cronologia de viagens, não quis regressar. Queria ter ficado só mais um tempo longe de tudo, naquela cidade maravilhosa, quem sabe conhecer mais um pouco da Califórnia. Impressionante como em cada viagem fico a gostar mais do país, eu, que um dia disse não pretender pôr lá os pés NUNCA! Careful what wish for (...and this one goes to that time in Israel too!!!).
Mas tive razões para voltar. Somethings to come back to. A minha Angel, o meu Hugo, o meu quase-novo-namorado-Duarte e um projecto muito bem desenhado dentro da minha cabeça acerca das transformações a fazer em mim. Muito trabalho pela frente, e muitos sacrifícios a impôr. But I will get there. E há coisas que não vão voltar jamais, porque banidas deste mundo: é pau na bunda.
Mas tive razões para voltar. Somethings to come back to. A minha Angel, o meu Hugo, o meu quase-novo-namorado-Duarte e um projecto muito bem desenhado dentro da minha cabeça acerca das transformações a fazer em mim. Muito trabalho pela frente, e muitos sacrifícios a impôr. But I will get there. E há coisas que não vão voltar jamais, porque banidas deste mundo: é pau na bunda.
12.06.2004
San Francisco, here I am!
Fantastica. E o minimo que se pode dizer acerca desta cidade, onde o glamour e a qualidade de vida se respiram em cada esquina, apesar dos inevitaveis homeless que vao aparecendo. E um paraiso para as mulheres: nunca vi tanta loja breath taking junta depois da 5th Avenue em Nova Iorque! Melhor que tudo, um atendimento excepcional, precos que nada tem a ver com a extorcao praticada em Portugal e um ambiente natalicio prestes a deixar-me comovida. Ja decidi que S. Francisco e a minha cidade preferida deste lado do Atlantico. Nem Las Vegas foi tao cosmopolita! Quanto ao primeiro dia de conferencia, astonishing. A Carly Fiorina e realmente uma grande oradora e o low profile de Chuck Phillips, que ascendeu ao cargo de presidente da Oracle, esta a funcionar categoricamente no confronto entre os executivos e os jornalistas no que respeita a embrulhada com a PeopleSoft. Mal posso esperar pela keynote do Larry Ellison, para ver como ele descalca essa bota. Entretanto, fiquei a saber que a festa que sempre encerra estes eventos vai ser abrilhantada pelos Tears for Fears. Nada mal para alguem que adora a pop dos anos oitenta como eu! Ok, vou almocar (sim a comida e pessima) e vou para as sessoes da tarde. Love my life right now!!!!!
12.02.2004
Foreign sounds
Gostaria de ter ficado na cama, hoje. Dói-me a cabeça, acho que é de sonhar a noite toda com o que não devia. Durante o dia evito ao máximo pensar no que passou e no que morreu. Mas à noite sou traída pela (in)consciência e ele aparece com toda a força, um morto saído da campa onde lhe atirei com pazadas de terra, um terrorismo ao qual não sei fugir quando me deixo levar pelo simpático Morfeu.
Depois levanto-me a custo e o que vejo na janela? Nuvens e mais nuvens, um vento irritante a desancar as folhas nas árvores, o chão meio húmido, meio seco, enfim, um dia de Outono mais ou menos cruél.
Ainda nem fiz a mala, não tratei de nada, e tenho de estar no aeroporto às seis e meia da manhã de Sábado. Não vou em Business First, como havia desejado, vou em Leisure, que é uma forma simpática de dizer classe-dos-bancos-em-que-se-vai-direito-que-nem-um-carapau. Dez horas de viagem nisto, senhores. E sem contar com as duas horas e meia daqui até Londres, claro. Vou chegar lá completamente de rastos, vai ser desesperante, creio.
Por ora, só quero que me passe esta dor de cabeça para poder acabar os textos todos que tenho para escrever e pôr-me nas meretrizes. Preciso de qualquer coisa, ainda não seí é o quê.
Depois levanto-me a custo e o que vejo na janela? Nuvens e mais nuvens, um vento irritante a desancar as folhas nas árvores, o chão meio húmido, meio seco, enfim, um dia de Outono mais ou menos cruél.
Ainda nem fiz a mala, não tratei de nada, e tenho de estar no aeroporto às seis e meia da manhã de Sábado. Não vou em Business First, como havia desejado, vou em Leisure, que é uma forma simpática de dizer classe-dos-bancos-em-que-se-vai-direito-que-nem-um-carapau. Dez horas de viagem nisto, senhores. E sem contar com as duas horas e meia daqui até Londres, claro. Vou chegar lá completamente de rastos, vai ser desesperante, creio.
Por ora, só quero que me passe esta dor de cabeça para poder acabar os textos todos que tenho para escrever e pôr-me nas meretrizes. Preciso de qualquer coisa, ainda não seí é o quê.
11.30.2004
Lábios cortados
Doem-me os lábios, e não sei se é do frio, se é do silêncio. Odeio fazer o caminho de casa. Ter de descer a calçada do Carmo, passar pelo Celeiro para comprar o jantar, entrar no Metro dos Restauradores e enfrentar a turba, sair em Sete Rios e apanhar o comboio que finalmente me vai levar a casa. Saio na estação suja e os saltos enfiam-se pelos quadrados da calçada, detesto que o vento me bata na cara, aconchego o casaco maldizendo o Inverno e abano o discman que volta e meia pára de tocar.
Chego a casa para os meus pais e irmãos, apenas. Janto, danço algumas coreografias, tomo banho e vou-me deitar. Talvez aproveite para trabalhar um pouco, adiantar um artigo, actualizar a agenda, desgravar uma entrevista. E é isto, porque na manhã seguinte quero levantar-me cedo e ser mais produtiva. Estou bêbeda com o trabalho porque o resto me parece longínquo.
Hoje penso na viagem a São Francisco, na roupa que temos de preparar para o show do fim-de-ano e nas paredes da minha casa, que tenho de pintar antes de levar as mobílias. Sair de casa, mudar de casa, sair de casa, mudar de casa. Repetir várias vezes até parecer real.
Penso por momentos que uma maior solidão me vai trazer maior conforto.
E depois, aterrorizada, penso que a solidão não é uma escolha minha. É uma fatalidade da minha índole.
Chego a casa para os meus pais e irmãos, apenas. Janto, danço algumas coreografias, tomo banho e vou-me deitar. Talvez aproveite para trabalhar um pouco, adiantar um artigo, actualizar a agenda, desgravar uma entrevista. E é isto, porque na manhã seguinte quero levantar-me cedo e ser mais produtiva. Estou bêbeda com o trabalho porque o resto me parece longínquo.
Hoje penso na viagem a São Francisco, na roupa que temos de preparar para o show do fim-de-ano e nas paredes da minha casa, que tenho de pintar antes de levar as mobílias. Sair de casa, mudar de casa, sair de casa, mudar de casa. Repetir várias vezes até parecer real.
Penso por momentos que uma maior solidão me vai trazer maior conforto.
E depois, aterrorizada, penso que a solidão não é uma escolha minha. É uma fatalidade da minha índole.
11.29.2004
Spirito Libero
Há vitórias que podem ficar só connosco, não temos de as dizer a ninguém. Basta-nos saber que ganhámos e a comum necessidade de o fazer saber aos outros não aparece.
Ok, este não é um desses casos. Nunca pensei muito no meu talento para a dança, gostava e pronto. Depois de começar a dançar, digamos, profissionalmente (meaning: ganhando dinheiro para o efeito) foram incontáveis as vezes que desconhecidos se abeiraram de mim para me elogiar nesse sentido. E de tantas vezes ouvir, acabei por achar que sim, que danço bem, que cativo e agrado (o objectivo é mesmo esse).
Eis senão quando o meu digníssimo "ex", sim, o morto, me apresenta o cenário contrário. «Danças horrivelmente mal», disse ele, «nem pareces uma mulher a dançar». Imaginem o ribombar de trovões e uma pessoa a cair interminavelmente do 354º andar: assim fiquei eu com estas palavras. Mais tarde, um anónimo num determinado fórum achou por bem que havia de tentar pisar-me, e disparou de tudo, desde que eu devia por silicone no rabo até que é deprimente a forma como o "ex", sim, o morto, gozava comigo. E em adição, que eu dançava muito mal.
Estes dois episódios serviram para me desacreditar a mim própria, embora tenha continuado a trabalhar na dança, aí já achando que só gostavam de mim pelas pernas e o decote. Eis senão outra vez quando começam a chover propostas de trabalho, de "agentes" de espectáculos, ou seja, gajos-habituados-à-coisa. Que eu danço muito bem, e que tenho boa imagem, e se não quero deixar o meu contacto.
O último grande episódio foi anteontem, no Kaxaça, onde por acaso estava uma das bailarinas de axé mais mediáticas e daquelas que não deixam ninguém dançar à volta. Eu e a Angel curtimos a nossa, é claro, e nem estranhei os olhares fixos de um loiro platinado que por lá andava. Afinal, o loiro era um "agente" de espectáculos e deixou-me o seu cartão, ainda fazendo questão de que um dos manda-chuvas do Kaxaça assinasse nos nossos cartões de consumo para não pagarmos nada.
Mais tarde, o vocalista de uma banda brasileira telefona à Angel e pergunta se não queremos dançar com eles no fim-de-ano, por um cachet astronómico (a sério!), nos Açores, com tudo pago. A isto eu chamo estrelinha!!!!!
E entretanto, concluo que não dá mesmo para perceber. Como é que há pessoas que me xingam e subestimam tanto no que toca a dançar, e outras me dão a maior moral? Afinal em que ficamos?
Ok, este não é um desses casos. Nunca pensei muito no meu talento para a dança, gostava e pronto. Depois de começar a dançar, digamos, profissionalmente (meaning: ganhando dinheiro para o efeito) foram incontáveis as vezes que desconhecidos se abeiraram de mim para me elogiar nesse sentido. E de tantas vezes ouvir, acabei por achar que sim, que danço bem, que cativo e agrado (o objectivo é mesmo esse).
Eis senão quando o meu digníssimo "ex", sim, o morto, me apresenta o cenário contrário. «Danças horrivelmente mal», disse ele, «nem pareces uma mulher a dançar». Imaginem o ribombar de trovões e uma pessoa a cair interminavelmente do 354º andar: assim fiquei eu com estas palavras. Mais tarde, um anónimo num determinado fórum achou por bem que havia de tentar pisar-me, e disparou de tudo, desde que eu devia por silicone no rabo até que é deprimente a forma como o "ex", sim, o morto, gozava comigo. E em adição, que eu dançava muito mal.
Estes dois episódios serviram para me desacreditar a mim própria, embora tenha continuado a trabalhar na dança, aí já achando que só gostavam de mim pelas pernas e o decote. Eis senão outra vez quando começam a chover propostas de trabalho, de "agentes" de espectáculos, ou seja, gajos-habituados-à-coisa. Que eu danço muito bem, e que tenho boa imagem, e se não quero deixar o meu contacto.
O último grande episódio foi anteontem, no Kaxaça, onde por acaso estava uma das bailarinas de axé mais mediáticas e daquelas que não deixam ninguém dançar à volta. Eu e a Angel curtimos a nossa, é claro, e nem estranhei os olhares fixos de um loiro platinado que por lá andava. Afinal, o loiro era um "agente" de espectáculos e deixou-me o seu cartão, ainda fazendo questão de que um dos manda-chuvas do Kaxaça assinasse nos nossos cartões de consumo para não pagarmos nada.
Mais tarde, o vocalista de uma banda brasileira telefona à Angel e pergunta se não queremos dançar com eles no fim-de-ano, por um cachet astronómico (a sério!), nos Açores, com tudo pago. A isto eu chamo estrelinha!!!!!
E entretanto, concluo que não dá mesmo para perceber. Como é que há pessoas que me xingam e subestimam tanto no que toca a dançar, e outras me dão a maior moral? Afinal em que ficamos?
11.26.2004
She will be loved
Chego a sexta-feira exausta e pelos cabelos com todas as questões profissionais que se me assomaram esta semana. Espairecer, dançar, beber Red Bull, festejar o meu Sporting, ir ao cinema, fazer compras para a viagem a S.Francisco, prepará-la com todos os pormenores. Não há nada como viagens aos Estados Unidos, são realmente mind changers. E desta vez com a aliciante de ir sozinha, logo sem responsáveis de agências de comunicação ou gabinetes de imprensa atrás de mim. Espero que me marquem avião em primeira classe, senão vou dar em doida nas dez horas de viagem, espero que o hotel seja bom e tenha ginásio, hidromassagem, solário e sauna, espero que a televisão no quarto tenha montes de canais e que a banheira venha com apoios para os braços.
E agora, para quem se interessa por tecnologia, roam-se de inveja, porque eu vou estar nesta conferência com (tchan tchan tchan tchan!!!):
- Carly Fiorina, CEO da HP
- Scott McNealy, CEO da Sun Microsystems
- Larry Ellison, CEO da Oracle,
- Michael Dell, Chairman da Dell
- Joe Tucci, CEO da EMC
São os grandes nomes da coisa e estou muuuuuiiiiiiiitoooooooo excitada porque vai haver uma mesa redonda só para os jornalistas com o Ellison!! Ok, para o comum do mortal isto não diz nada, mas para quem segue a indústria é uma espécie de limbo com todos os deuses... E sozinha, meus amigos, sozinha!
Portanto, da próxima vez que eu começar com lamechices por causa do falecido, dêem-me um estalo virtual, S.F.F.!
E agora, para quem se interessa por tecnologia, roam-se de inveja, porque eu vou estar nesta conferência com (tchan tchan tchan tchan!!!):
- Carly Fiorina, CEO da HP
- Scott McNealy, CEO da Sun Microsystems
- Larry Ellison, CEO da Oracle,
- Michael Dell, Chairman da Dell
- Joe Tucci, CEO da EMC
São os grandes nomes da coisa e estou muuuuuiiiiiiiitoooooooo excitada porque vai haver uma mesa redonda só para os jornalistas com o Ellison!! Ok, para o comum do mortal isto não diz nada, mas para quem segue a indústria é uma espécie de limbo com todos os deuses... E sozinha, meus amigos, sozinha!
Portanto, da próxima vez que eu começar com lamechices por causa do falecido, dêem-me um estalo virtual, S.F.F.!
11.24.2004
Subir no emprego ou descer na vida...?
Mais tarde saberei se fiz asneira ou não, mas acabo de recusar preliminarmente uma promoção. Ia ganhar mais umas centenas de euros e acabar com uma série de dores de cabeça. Subir uns degraus na escala do jornal ao sair da secção mal-amada para integrar a bemquista. Mas... largar de repente toda a rede de contactos que consegui estabelecer de forma privilegiada? Deixar de escrever sobre tecnologia e passar a teclar sobre os resultados líquidos de empresas? Não quero. Construí um nome numa área com muito esforço e agora não quero abandonar tudo. Gosto do que faço, e chega para justificar que ganhe menos que o que devia.
Sim, há um problema de sobreposição, excesso e abuso de trabalho. Sim, quanto mais eu faço mais esperam de mim, dando-me palmadinhas nas costas porque gostam dos resultados. Sim, isso ia ser diferente na secção de Empresas. Mas eu quero levantar-me de manhã e gostar de vir para o jornal. Quero ter a liberdade para escrever sobre o que acho mais importante. Quero ter a flexibilidade de horário que me permite continuar a dançar na noite (e a completar assim o meu salário).
Portanto, ainda que seja precipitado, digo já que não me parece que vá aceitar.
(fogo, porque é que não sou uma cabra calculista com sede de dinheiro????)
Sim, há um problema de sobreposição, excesso e abuso de trabalho. Sim, quanto mais eu faço mais esperam de mim, dando-me palmadinhas nas costas porque gostam dos resultados. Sim, isso ia ser diferente na secção de Empresas. Mas eu quero levantar-me de manhã e gostar de vir para o jornal. Quero ter a liberdade para escrever sobre o que acho mais importante. Quero ter a flexibilidade de horário que me permite continuar a dançar na noite (e a completar assim o meu salário).
Portanto, ainda que seja precipitado, digo já que não me parece que vá aceitar.
(fogo, porque é que não sou uma cabra calculista com sede de dinheiro????)
11.23.2004
Ich habe Engel
Tenho anjos na minha vida, essenciais como respirar. Sem eles, eu estaria reduzida à minha Torre de Marfim, absorta no umbiguismo que sempre me caracterizou. Há nomes que sairam e outros que estão prestes a entrar, mas aqui ficam apenas as pessoas que eu adoro acima de qualquer outra coisa e que demonstraram para comigo uma lealdade e carinho sem precedentes.
Pessoas que se mantêm ao meu lado apesar da minha insconstância, egocentrismo, obsessividade, perfeccionismo e autismo em relação à forma das coisas. Que não se fartaram das minhas lamúrias, que não me afastaram quando eu fui demasiado exigente, que souberam aturar cada leviandade e estupidez que fui cometendo ao longo dos dias.
É por isso que as amo de todo o coração e sou imensamente grata pela sua amizade incondicional. A felicidade que reconheço em pedaços da minha vida devo-a também a vocês. São os meus ENGEL.
Pessoas que se mantêm ao meu lado apesar da minha insconstância, egocentrismo, obsessividade, perfeccionismo e autismo em relação à forma das coisas. Que não se fartaram das minhas lamúrias, que não me afastaram quando eu fui demasiado exigente, que souberam aturar cada leviandade e estupidez que fui cometendo ao longo dos dias.
É por isso que as amo de todo o coração e sou imensamente grata pela sua amizade incondicional. A felicidade que reconheço em pedaços da minha vida devo-a também a vocês. São os meus ENGEL.
11.22.2004
When the pawn hits the conflicts
Está um frio reconfortante nesta noite de Domingo. Um frio seco, e as decorações de Natal fazem-me lembrar Berlim no Natal do ano passado. Sinto uma pequena nostalgia, hoje, pelo último inverno. Ainda não o conhecia, ainda não tinha este peso em cima das costas. Mas não quero falar mais dele, nem do que se passou. Há um limite do razoável que eu estou prestes a ultrapassar. Quero ir dormir sabendo que nem tudo é mau, que consigo sorrir, que tenho planos bons para o futuro próximo, que a minha vida continua soberana e à espera do Sol.
(Além de que o Benfica afinal também fez asneira da grossa e portanto este fim-de-semana ninguém ri de ninguém).
Sobretudo, tenho novamente vontade de conhecer outras pessoas. Vontade de novo, de desconhecido, de colorido, vontade de procurar sítios onde as esquinas não falem comigo. E portanto, onde antes eu via um túnel às escuras, agora vejo uma porta por onde quero esgueirar-me, safar-me disto tudo, sair porta fora. Descubro agora que é preciso mais coragem para deixar o carrasco que aguentar a tortura.
E há uma frase que não me sai da cabeça, não sai e não quero que saia. Prestem atenção, porque só vou dizer isto uma vez: YOU WILL GET YOURS.
(Além de que o Benfica afinal também fez asneira da grossa e portanto este fim-de-semana ninguém ri de ninguém).
Sobretudo, tenho novamente vontade de conhecer outras pessoas. Vontade de novo, de desconhecido, de colorido, vontade de procurar sítios onde as esquinas não falem comigo. E portanto, onde antes eu via um túnel às escuras, agora vejo uma porta por onde quero esgueirar-me, safar-me disto tudo, sair porta fora. Descubro agora que é preciso mais coragem para deixar o carrasco que aguentar a tortura.
E há uma frase que não me sai da cabeça, não sai e não quero que saia. Prestem atenção, porque só vou dizer isto uma vez: YOU WILL GET YOURS.
11.20.2004
Ensaio sobre a saudade
Encontrei uma pen de 64 MB e fui ver o que tinha. Foi a que levei para Las Vegas em Fevereiro. E o que escrevi lá fez-me desabar no momento em que comecei a ler. Era uma mulher apaixonada que escrevia, e então tudo era perfeito. Isto está a doer mais que o previsto... hoje vou passar a noite em claro, a chorar tudo o que tenho para chorar, a sofrer o que tenho de sofrer porque as saudades dele queimam demasiado. Eu sei que acabou, que não há como voltar atrás, mas apenas hoje vou baixar as defesas e deixar-me chorar. Quero enrolar-me num cobertor quente e chorar porque ele desapareceu da minha vida, porque não o vou ter mais, porque o amo tanto tanto que parece que vou ficar louca.
Porque tinha isto de me acontecer? Porque é que as pessoas complicam tanto o que deveria ser simples? Porque é que ele havia de precisar de outras mulheres, com rabos mais perfeitos e mamas maiores, quando eu estava aqui o tempo todo, louca por ele? Eu pensava, em Las Vegas, que tinham terminado as minhas aventuras e que havia encontrado o amor. Afinal... Estúpida.
O texto é muito grande, vou pô-lo no EgoCentro. Assim que conseguir parar de soluçar, é claro.
Porque tinha isto de me acontecer? Porque é que as pessoas complicam tanto o que deveria ser simples? Porque é que ele havia de precisar de outras mulheres, com rabos mais perfeitos e mamas maiores, quando eu estava aqui o tempo todo, louca por ele? Eu pensava, em Las Vegas, que tinham terminado as minhas aventuras e que havia encontrado o amor. Afinal... Estúpida.
O texto é muito grande, vou pô-lo no EgoCentro. Assim que conseguir parar de soluçar, é claro.
Egocentro
Duas notas breves antes de me ir enfiar num banho de imersão com 'frecheur d'agrumes': ressuscitei o EgoCentro e estou contente porque não há blogue como o primeiro :)
O F.C.Porto foi com os porcos frente ao Boavista, em pleno Dragão. Isto é impressão minha, ou foi o mesmo Boavista que levou 6 a 1 do Sporting na semana passada? Acho que isto diz alguma coisa. Hehehehehe.
O F.C.Porto foi com os porcos frente ao Boavista, em pleno Dragão. Isto é impressão minha, ou foi o mesmo Boavista que levou 6 a 1 do Sporting na semana passada? Acho que isto diz alguma coisa. Hehehehehe.
A arte de fingir (...)
O que eu teria sido para este homem é algo inexplicável, mas não há nada a lamentar. Tenho saudades do esperma e da intimidade com que nos tocávamos. Só que ele não sente nada disto, então there is no point. É o fim, com tudo o que tem de trágico e de belo.
posted by Tita at 04:22
posted by Tita at 04:22
11.18.2004
Live through this
When people show you who they are, believe them the first time.
Foi isto que eu não fiz. Ele mostrou do que era capaz e eu não quis ver a verdade. Depois abri os olhos de espanto, como se fosse uma surpresa que ele dormisse com outras, que não me respeitasse. Get real! Não gosto de masoquismo. Estou longe de ser uma vítima. Gosto de mim e tenho a certeza que mereço uma relação à altura das minhas expectativas. Nem quero sequer pensar que perdi algo, ou alguém: quantas vezes é preciso lembrar que não se perde o que não se tem?
Ética é estar à altura do que nos acontece, e eu não estive. Fugi da dor quando devia tê-la enfrentado de frente.
É tudo uma questão de perspectivas e probabilidades. A vida não me passou a perna, eu é que tropecei sozinha.
BE A WOMAN. Face it like a woman. Deixa de ser florzinha de cheiro. STOP BEING A CRY BABY. Senão, serei obrigada a levar o meu sorry ass até uma farmácia e comprar uma chupeta com o Pateta na pega.
Foi isto que eu não fiz. Ele mostrou do que era capaz e eu não quis ver a verdade. Depois abri os olhos de espanto, como se fosse uma surpresa que ele dormisse com outras, que não me respeitasse. Get real! Não gosto de masoquismo. Estou longe de ser uma vítima. Gosto de mim e tenho a certeza que mereço uma relação à altura das minhas expectativas. Nem quero sequer pensar que perdi algo, ou alguém: quantas vezes é preciso lembrar que não se perde o que não se tem?
Ética é estar à altura do que nos acontece, e eu não estive. Fugi da dor quando devia tê-la enfrentado de frente.
É tudo uma questão de perspectivas e probabilidades. A vida não me passou a perna, eu é que tropecei sozinha.
BE A WOMAN. Face it like a woman. Deixa de ser florzinha de cheiro. STOP BEING A CRY BABY. Senão, serei obrigada a levar o meu sorry ass até uma farmácia e comprar uma chupeta com o Pateta na pega.
11.17.2004
Antes que seja tarde
Gosto de ser Ruiva. Aquilo que de perverso tem a minha futilidade é também o que me prova como sou uma perfeita obra de mim mesma. Gosto da artificialidade que compõe a imagem que eu trago nos olhos dos outros. A ideia de mim: uma boneca de porcelana. Excepto quando acordo ou no periodo pós-berreiro-por-causa-do-rui, adoro principalmente a minha cara. Não me interessa o que dizem as mulheres maldosas. Todos os dias (MESMO todos) dou com olhares (femininos e masculinos) pousados em mim. Como se eu fosse um centro de gravidade. É já tão comum que me lancem olhares desconcertados nas entrevistas e/ou conferências («mas de onde saiu esta?!!») que até acho estranho quando isto não se passa.
Então a questão é: porque raio sou eu tão mal-amada?
Então a questão é: porque raio sou eu tão mal-amada?
Catarse, ou Os Amores da Minha Vida
Isto é o mais próximo de esquizofrénica que alguma vez estive. Voltei atrás, tentei saltar, recuei novamente, como se não tivesse capacidade para saber o que é melhor para mim. Que ridículo. Francamente. Encontro-me sozinha aos 24 anos, e o padrão amoroso que se desenha atrás de mim é absurdo. Escolhi mal os meus homens e não me posso queixar de que tenham sido cabrões comigo, porque fui eu quem os deixou fazer-me isso. Não tenho pena da minha dor. Olho atrás, e o que tenho?
11.16.2004
Live to tell
Ainda com o frio da Invicta na garganta, cheguei a casa pouco preparada para a desilusão. Mas que cansaço. Não suporto mais esta litania, este pesar, este olhar baixo e fatal como o destino. Pois ele foi sair com outra gaja, ou outras gajas, ou com o burro do Schrek, é assim a vida. Não recebi uma mensagem a perguntar se a viagem tinha corrido bem; não recebi um único sinal de que o meu bem-estar lhe interessa para alguma coisa. Então que sentido faz ficar com um nó na garganta de cada vez que sei alguma história desagradável? Pelo amor da Santa, já nem eu posso com isto! Não há pachorra.
Tens razão R, tenho de começar a gostar MESMO de mim, não apenas pela fachada. Tenho de cumprir o egocentrismo que apregoo. Já dizia o outro 'só interessam os que cá estão...'.
Preciso de Madonna e largar de ser tonta.
Tens razão R, tenho de começar a gostar MESMO de mim, não apenas pela fachada. Tenho de cumprir o egocentrismo que apregoo. Já dizia o outro 'só interessam os que cá estão...'.
Preciso de Madonna e largar de ser tonta.
11.12.2004
Fiesta, o Sol nasce sempre
Entre presságios estranhos e uma vontade enorme de não saber, alcancei uma paz provisória. Daquelas que também surgem um bocadinho quando a nossa vida imediata se sobrepõe à insegurança do futuro. Não fossem as tuas palavras tão sábias, Ana Rute, e eu teria liquidado todos os caminhos por irreflexão. Mas fui exemplarmente tranquila; e então deixei de sofrer.
São outras paisagens que me ocupam a mente, agora. Viajar, dançar, escrever, não fumar, não comer carne, ser ruiva, aceitar o Inverno em vez de desesperar por causa dele.
Na verdade, aquilo que mais me angustia agora é a situação do Sporting. Não vejo caminhos para a saída do buraco, não sei como vamos escalar a tabela para chegar pelo menos à Europa. A derrota de segunda foi mesmo um grande estalo na cara, e o Porto nem sequer jogou por aí além. Tenho de admitir que odeio aqueles gajos quase tanto como odeio o Benfica. Gostava de ser diplomática e saudável, mas não consigo. Perdoem-me os bons amigos que não partilham da minha lagartice, mas é um ponto sem retorno este anti-benfiquismo e anti-portismo. Ele existe em mim nalgum sítio afastado do meu amor pelo Sporting. As duas coisas não se misturam.
E o Sporting será sempre, como foi todos estes anos, a grande paixão da minha vida. Insubstituível.
São outras paisagens que me ocupam a mente, agora. Viajar, dançar, escrever, não fumar, não comer carne, ser ruiva, aceitar o Inverno em vez de desesperar por causa dele.
Na verdade, aquilo que mais me angustia agora é a situação do Sporting. Não vejo caminhos para a saída do buraco, não sei como vamos escalar a tabela para chegar pelo menos à Europa. A derrota de segunda foi mesmo um grande estalo na cara, e o Porto nem sequer jogou por aí além. Tenho de admitir que odeio aqueles gajos quase tanto como odeio o Benfica. Gostava de ser diplomática e saudável, mas não consigo. Perdoem-me os bons amigos que não partilham da minha lagartice, mas é um ponto sem retorno este anti-benfiquismo e anti-portismo. Ele existe em mim nalgum sítio afastado do meu amor pelo Sporting. As duas coisas não se misturam.
E o Sporting será sempre, como foi todos estes anos, a grande paixão da minha vida. Insubstituível.
11.09.2004
Às vezes, o Inferno acontece
Quantas lágrimas são precisas para refrescar a pele massacrada pelo fogo? Estou no inferno, esta noite. Tenho os olhos tão inchados que pareço uma velha, e não uma miúda de 24 anos. Tu não entendes, meu amor, como me destróis minuto a minuto. Não entendes o sacríficio voluntário que faço para te amar como no início. Não entendes como eu amo até essa dor, simplesmente porque o ferro da tortura grava o teu nome. Não gostas que eu seja tão dramática. E é por isso que me calo, e engulo. Será que um dia haverá um homem que se aperceba da grandiosidade do amor de uma mulher? Será que um dia haverá alguém que me ame assim?
O Sporting perdeu, foi uma noite demasiado triste para ser verdade. Estou esmagada. Cubro de verde o meu coração, este amor genuíno tem a cor de Alvalade. O meu coração, pequenino, encolhido, retém-te no seu colo, meu Sporting. Penso em ti, meu anjo, meu demónio, meu Peter Pan que há-de ser a minha vida e a minha perdição na Terra do Nunca, meu amor quase possível (como estás certo, R.!). E hoje, quero apenas dormir sem saber se irei acordar.
O Sporting perdeu, foi uma noite demasiado triste para ser verdade. Estou esmagada. Cubro de verde o meu coração, este amor genuíno tem a cor de Alvalade. O meu coração, pequenino, encolhido, retém-te no seu colo, meu Sporting. Penso em ti, meu anjo, meu demónio, meu Peter Pan que há-de ser a minha vida e a minha perdição na Terra do Nunca, meu amor quase possível (como estás certo, R.!). E hoje, quero apenas dormir sem saber se irei acordar.
11.08.2004
Great Expectations
Há dias em que acordo e tudo em mim é verde: a esperança comove-me. Não apenas nesta segunda-feira porque a paixão da minha vida, o Sporting, tem um jogo muito importante à noite, mas também porque hoje é o dia marcado. Para a minha libertação do inferno que dura há 39 dias. E depois também porque consegui sair da angústia profunda em que tinha entrado no Sábado à tarde, apenas com a força das palavras da minha Angel. Nunca ninguém tinha falado assim para mim. Foi a primeira vez que não ouvi críticas por continuar apaixonada por ele, que não me incitaram a fazer um esforço para o esquecer, que não me culparam por sentir um amor inabalável. Ela falou simples. Esquece o passado, corre atrás do que te faz feliz, ainda que não seja como tu queres. Não critiques a toda a hora, não evoques os erros que aconteceram, não exijas o que nem sabes se queres. Vive esse amor, se não consegues (ou não queres) libertar-te dele.
Eu não quero, na verdade. Faz-me feliz só saber que ele respira. E quase tudo o que me faz sofrer é produto da máquina dentro da minha cabeça, uma auto-sabotagem que procura o pior em todas as palavras. Não quero ser assim, essa pessoa. Eu admito que não consigo viver sem ti, e o bom que tu trazes é incomensurável face às lágrimas que choro de vez em quando.
Deve ser isto: o verdadeiro amor.
Acima de tudo, hoje há sol; ainda que o resto fosse triste, não poderia deixar de ter esperança perante o sol.
Eu não quero, na verdade. Faz-me feliz só saber que ele respira. E quase tudo o que me faz sofrer é produto da máquina dentro da minha cabeça, uma auto-sabotagem que procura o pior em todas as palavras. Não quero ser assim, essa pessoa. Eu admito que não consigo viver sem ti, e o bom que tu trazes é incomensurável face às lágrimas que choro de vez em quando.
Deve ser isto: o verdadeiro amor.
Acima de tudo, hoje há sol; ainda que o resto fosse triste, não poderia deixar de ter esperança perante o sol.
11.04.2004
O segundo impensável
Arafat morre um dia depois de Bush ser reeleito e eu recebo a notícia no exacto momento em que estou a escrever um artigo sobre a Telecom Israel 2004. É o 666, o armagedão, o fim dos dias. Ou então é o que a minha editora diz «acorda para a vida, o mundo não é cor-de-rosa!». Então e não pode ser ao menos laranja ou amarelo? Tem de ser cinzento? Em Dezembro vou passear o meu rabo espantado para São Francisco, no OpenWorld da Oracle. E sempre pensei que já não tinha de ver quadros do Bush à saída do avião em Newark. Guess again. Também não estava à espera de 14º e chuva nessa altura. Bolas, é a Califórnia, devia ser proibido fazer frio!
O que será agora dos palestinianos? Conheço Tel Aviv, adoro aquele povo, mas sei do que são feitos os seus governantes e militares. Não compreendem nada a não ser eles próprios. Temo pela Palestina. E novamente digo: «ui qui medo».
O que será agora dos palestinianos? Conheço Tel Aviv, adoro aquele povo, mas sei do que são feitos os seus governantes e militares. Não compreendem nada a não ser eles próprios. Temo pela Palestina. E novamente digo: «ui qui medo».
11.03.2004
O impensável aconteceu
Os votos provisórios já não são importantes: a Casa Branca confirmou que a vantagem de Bush no Ohio «é inultrapassável». Passei a madrugada de olhos colados na CNN e os ouvidos na TSF, e ainda estou a ter dificuldades para aceitar este resultado. Não são apenas mais 4 anos de Bush. É a descoberta de que mais de metade da América é ultra-conservadora; de que a inteligência estado-unidense consegue manipular o sentido de voto abertamente (exibindo videos de Bin Laden em cima do acto eleitoral e fazendo correr o rumor de que Kerry ganharia, mobilizando aqueles que nem pensavam ir votar); de que a Europa não foi capaz de demonstrar quão escandalosa se tornou a conduta da administração Bush, limitando-se a amuar; de que os Democratas não foram capaz de utilizar a seu favor uma situação de descontentamento que tinha tudo para derrubar Bush. O texano sai reforçado, porque não só derrota Kerry, como se vence a si mesmo - já que em 2000 foi eleito pelos tribunais e não pelo voto popular e desta vez consegue vencer em todas as frentes, apesar de tudo o que fez no primeiro mandato.
É um cowboy a cavalo no mundo. Longe de procurar as causas do terrorismo, ele vai continuar a pensar que pode aniquilá-lo pelo poderio militar. Esqueçam o protocolo de Quioto. Esqueçam a classe média norte-americana (porque ele terá de compensar os industriais que investiram na sua campanha, baixando os impostos para as grandes empresas e beneficiando a classe A).
Resta-me repensar a minha ideia de viver um ou dois anos nos Estados Unidos. Cada vez mais longe desse way of life, reconheço a minha «europeaness» E só me atrevo a dizer: «Ui qui medo»...
É um cowboy a cavalo no mundo. Longe de procurar as causas do terrorismo, ele vai continuar a pensar que pode aniquilá-lo pelo poderio militar. Esqueçam o protocolo de Quioto. Esqueçam a classe média norte-americana (porque ele terá de compensar os industriais que investiram na sua campanha, baixando os impostos para as grandes empresas e beneficiando a classe A).
Resta-me repensar a minha ideia de viver um ou dois anos nos Estados Unidos. Cada vez mais longe desse way of life, reconheço a minha «europeaness» E só me atrevo a dizer: «Ui qui medo»...
10.29.2004
Nudez
O exílio a que fui obrigada neste mês de Outubro deu cabo de mim. Bem sei que a culpa foi minha; eu é que paguei 6.200 euros para que um médico trocista me esculpisse. Mas a consequente tortura da dor, o isolamento do mundo exterior, a interrupção abrupta de tudo o que eu mais gostava de fazer, a impossibilidade de dançar, tornaram-me pequenina. Apercebo-me que sou o que faço e não aquilo que idealizo.
Ainda e sempre este amor que me sufoca: a ausência deixou-me desvairada. Nas longas horas que passei imobilizada na cama, meia inconsciente pela quantidade de drogas que a dor me fez tomar, delirei várias vezes... Não vivi para mais nada, nesses dias longos e tormentosos: queria ultrapassá-los apenas para poder estar ali outra vez, sentir o peso do seu corpo, deixar os cabelos cair-lhe sobre o peito a cada beijo de sofreguidão.
Mas passei a última semana a lutar contra ele, a tentar libertar-me desse jugo. E hoje aceito finalmente que não consigo, e então estou-lhe entregue. Esta é uma certeza que só se tem uma vez na vida: vou acreditar até ao fim.
E o que mais desejo é despir-me, a nudez exalta o amor que sinto.
Ainda e sempre este amor que me sufoca: a ausência deixou-me desvairada. Nas longas horas que passei imobilizada na cama, meia inconsciente pela quantidade de drogas que a dor me fez tomar, delirei várias vezes... Não vivi para mais nada, nesses dias longos e tormentosos: queria ultrapassá-los apenas para poder estar ali outra vez, sentir o peso do seu corpo, deixar os cabelos cair-lhe sobre o peito a cada beijo de sofreguidão.
Mas passei a última semana a lutar contra ele, a tentar libertar-me desse jugo. E hoje aceito finalmente que não consigo, e então estou-lhe entregue. Esta é uma certeza que só se tem uma vez na vida: vou acreditar até ao fim.
E o que mais desejo é despir-me, a nudez exalta o amor que sinto.
10.27.2004
Vermelho-sangue
Levei a mão à boca, e nada me surpreendeu nos meus dentes. Gostaria de estar do outro lado, e como eu seria uma vampira interessante… Por breves instantes mergulhada num universo a preto e vermelho, atrofiante para os olhos, perguntei-me se não poderia haver em mim um pouco dessa distorção. Não tentei eu sempre dominar a vontade dos outros? Não procuro eu desesperadamente sugar-lhes amor? Talvez eu pudesse ser uma vampira e retirar de fora a energia que me falta e me torna obcecada pela aceitação do mundo. Se ao menos conseguisse arrancar do meu pescoço os dentes que cá trago cravados! Se ao menos eu conseguisse estancar o sangue que não paro de perder em nome de algo que eu não vejo como mais que absurdo…
Vampirizar. Voltar ao orgulho do preto. Deixar de ser metade. Recuperar a sanidade.
(Mental Note: evitar o Vampire Realm Of Darkness sempre que viajar pelo mundo virtual).
Vampirizar. Voltar ao orgulho do preto. Deixar de ser metade. Recuperar a sanidade.
(Mental Note: evitar o Vampire Realm Of Darkness sempre que viajar pelo mundo virtual).
10.26.2004
Vento nos pés
A minha fuga para a frente tem um sentido óbvio de denial. Vou a caminho do precipício de onde já caí, como uma gata que esqueceu onde se escaldou. Pestanejo confusamente ao assomar-se a sua presença, busco-o sem saber por que razão não desisto de procurar maçãs em árvores mortas. Odeio-o variadíssimas vezes durante o dia; quase não suporto a vontade de o esmagar dentro da minha cabeça. E depois amacio, tal criança chorosa a quem dão gomas às cores. Entretenho-me, portanto, a imaginar que tudo seria perfeito entre nós, como era no início, quando não existia mais ninguém no nosso mundo. Estendo os cabelos na almofada, cerro os olhos e por instantes que não pertencem à realidade consigo tocar nesse amor profundo que sinto por ele, o amor que nós seríamos se ele me amasse também. Don't tell me because it hurts. Saber que acima de todas conquistas da minha vida, fui incapaz de ser amada pelo único homem com quem queria passar o resto dos dias. Thanks for watching as I fall. E que agora terei de procurar outro nome, outro corpo, outra alma para me entregar. E que enquanto eu viver, esta mágoa não irá desaparecer. I guess I will allways love you.
10.25.2004
STATE OF INDEPENDENCE
Por vezes tudo o que eu preciso é saber que há mulheres com tanta raiva como eu.
ALANIS MORISSETTE You Oughta Know
GARBAGE Vow
ANOUK Nobodie's wife
HOLE Violet
NO DOUBT Sunday Morning
SKUNK ANANSIE Hedonism
AVRIL LAVIGNE My Happy Ending
MADONNA Die Another Day
CHRISTINA AGUILLERA Can't Hold Us Down
FIONA APPLE Get Gone
TORI AMOS Cruel
SOPHIE ELLIS-BEXTOR Get Over You
GALA Let A Boy Cry
BIF NAKED Tango Shoes
K'S CHOICE Believe
KELIS Caught Out There
KELIS I Don't Care Anymore
JENNIFER LOVE HEWITT Can I Go Now?
NANCY SINATRA These Boots Are Made For Walking
ALANIS MORISSETTE You Oughta Know
GARBAGE Vow
ANOUK Nobodie's wife
HOLE Violet
NO DOUBT Sunday Morning
SKUNK ANANSIE Hedonism
AVRIL LAVIGNE My Happy Ending
MADONNA Die Another Day
CHRISTINA AGUILLERA Can't Hold Us Down
FIONA APPLE Get Gone
TORI AMOS Cruel
SOPHIE ELLIS-BEXTOR Get Over You
GALA Let A Boy Cry
BIF NAKED Tango Shoes
K'S CHOICE Believe
KELIS Caught Out There
KELIS I Don't Care Anymore
JENNIFER LOVE HEWITT Can I Go Now?
NANCY SINATRA These Boots Are Made For Walking
10.21.2004
E ainda em silêncio
Este vento indomável que me arrepia os cabelos e me obriga a saber que é fim de tarde reflecte a minha própria impaciência. Voltar a viver, ser Eu outra vez aos olhos do mundo. Duas semanas de ausência e parece que estive sempre longe. Nada muda e só eu insisto em aparecer diferente. Estarei mesmo mais forte? Terá a dor conseguido transformar-me numa mulher? Sei que às vezes esqueço como sou abençoada, e esta é uma dessas alturas. Sinto-me pequena, invisível, retrocendendo, rastejante, mal-amada. (E sou cruél comigo mesma).
Sempre amada pela metade, e quase sempre pelas razões erradas. Estou a sentir-me como um imenso poço de lava efervescente e revoltado, contorcido na escuridão de um vulcão inactivo. I'm an angry white woman.
Sou dura, possessiva, autoritária, orgulhosa, altiva. Sou um lobo disfarçado de cordeiro, e, ironicamente, é essa vassalagem aos entes de quem preciso que me torna vulgar aos seus olhos. Estou à espera do meu momento. Não posso admitir a verdade antes de estar forte o suficiente para aguentar de pé as consequências. Tenho de continuar a fingir que perdooei o passado, quando na verdade ele me consome de raiva e de ressentimento.
Quando chegar o momento, vai tudo ao ar. Ainda que me torne um calhau por dentro, um inútil pedaço de frio, quero despedir-me dessa fragilidade que é a dependência emocional. Porque não sou amada de volta, porque não recebo nada daquilo que quero. Porque não passa um segundo nos meus dias dolorosos em que não me atormentem essas palavras que eu tive de ouvir, essa visão do que aconteceu, a consciência de que me arrasto por alguém que não me ama. Não passa um segundo sem que a verdade escondida me mortifique, sem que eu me sinta mutilada, desesperada por me ter deixado humilhar.
Sou uma vergonha para mim própria.
Sempre amada pela metade, e quase sempre pelas razões erradas. Estou a sentir-me como um imenso poço de lava efervescente e revoltado, contorcido na escuridão de um vulcão inactivo. I'm an angry white woman.
Sou dura, possessiva, autoritária, orgulhosa, altiva. Sou um lobo disfarçado de cordeiro, e, ironicamente, é essa vassalagem aos entes de quem preciso que me torna vulgar aos seus olhos. Estou à espera do meu momento. Não posso admitir a verdade antes de estar forte o suficiente para aguentar de pé as consequências. Tenho de continuar a fingir que perdooei o passado, quando na verdade ele me consome de raiva e de ressentimento.
Quando chegar o momento, vai tudo ao ar. Ainda que me torne um calhau por dentro, um inútil pedaço de frio, quero despedir-me dessa fragilidade que é a dependência emocional. Porque não sou amada de volta, porque não recebo nada daquilo que quero. Porque não passa um segundo nos meus dias dolorosos em que não me atormentem essas palavras que eu tive de ouvir, essa visão do que aconteceu, a consciência de que me arrasto por alguém que não me ama. Não passa um segundo sem que a verdade escondida me mortifique, sem que eu me sinta mutilada, desesperada por me ter deixado humilhar.
Sou uma vergonha para mim própria.
10.19.2004
Benfica-Porto só podia dar nisto: palhaçada.
Mesmo para uma pessoa como eu, que não suporta o Benfica há mais de doze anos, esta palhaçada parece demais. Roubados? 3 pontos? FIFA? Mas o que é isto? Alguém já terá dito ao azeiteiro do LFV que a sua equipa foi demasiado incompetente para ganhar o jogo? Que não se admite a um perseguidor do título passar 45 minutos em cima da área do oponente e não conseguir nada mais que um frango mal anulado? Vão mas é treinar remates e deixem o Olegário em paz. Como se realmente acreditassem que ele fez de propósito e vai receber cheques! Please. Get a life. Já todos percebemos que era golo, temos pena, mas erros destes acontecem frequentemente e não vejo ninguém a bradar para a FIFA e a ameaçar o árbitro de morte. Azeiteiros. Benfica, já chega de envergonhar o futebol português. Calem-se e joguem. Só o que nos faltava era um bigode mal aparado a dizer que um campeonato se resolve à sexta jornada! Mas ninguém diz a este senhor que faltam 28 jornadas?
Nesta barafunda toda, ainda vem o PINTAínho falar do Tonecas, todo contente por ter ganho um jogo que não merecia ganhar, simplesmente porque a sua equipa esteve ajoelhada toda a segunda parte. Tenham juízo.
Nesta barafunda toda, ainda vem o PINTAínho falar do Tonecas, todo contente por ter ganho um jogo que não merecia ganhar, simplesmente porque a sua equipa esteve ajoelhada toda a segunda parte. Tenham juízo.
10.14.2004
Demasiado tempo para pensar
A consciência é um veneno, um instrumento de auto-intoxicação, quando aplicada a nós mesmos. A consciência é um foco dirigido para fora; a consciência ilumina o caminho que se estende à nossa frente para nos evitar as quedas. Dirigida para fora, é um farol aceso no topo de uma locomotiva; para dentro, é a catástrofe. (Pasternak)
Estou há demasiado tempo metida comigo mesma. As paredes do meu quarto diminuem de dia para dia, e eu já não posso com o sufoco da minha voz, da minha omnipresença, da ausência do odor e do frio nocturno que eu não posso tocar porque estou presa. Sozinha, comigo.
Estou há demasiado tempo metida comigo mesma. As paredes do meu quarto diminuem de dia para dia, e eu já não posso com o sufoco da minha voz, da minha omnipresença, da ausência do odor e do frio nocturno que eu não posso tocar porque estou presa. Sozinha, comigo.
10.07.2004
Because I can
«Se queres mel, suporta as abelhas», dizia-me Erasmo um dia antes da minha entrada no inferno voluntário. Queria arrancar as minhas costas e pôr gelo nos músculos descarnados.
Alguém me perguntou porque ia fazer o que fiz. E eu respondi, muito secamente, «porque posso».
A dor, essa, aperta-me como um garrote todos os segundos destes dias intermináveis.
Alguém me perguntou porque ia fazer o que fiz. E eu respondi, muito secamente, «porque posso».
A dor, essa, aperta-me como um garrote todos os segundos destes dias intermináveis.
9.28.2004
Suavemente no chão
Só peço que não me pises os cabelos e não esmagues as minhas unhas pintadas de amarelo. É frio até onde eu sinto, e no entanto não movo um músculo para me levantar. A confiança na ausência de vontade. A paz quando o silêncio substitui todos os desejos de amor. E no entanto esse nome sopra-se para dentro dos lábios como se nunca tivesse saído deles.
9.27.2004
Better the devil you know
Sinto-me sozinha. As vozes que tenho em meu redor não bastam, não as quero, não as ouço bem. Troco as gargalhadas dos amigos pela voz maviosa da solidão. Tudo em mim se atrasa, a minha vida ficou para trás e eu olho para as luzes em câmara lenta, eu sou uma novela de mau gosto. Não consigo sequer provar as borras da infelicidade. Não estou em lado nenhum, neste momento. É como se caminhasse um deserto, e no deserto tudo é calmo, tudo é igual, tudo é perigoso e ao mesmo tempo ridículo, inútil perante a imensidão igual a si própria. A minha vontade é um marasmo embaraçoso: baixei os braços e não me importo. Pus de lado os veludos, as sombras, os cheiros a rosa queimada, as fotos a preto e branco, as divas que me habitaram a pele desde que me lembro de ser mulher.
Apetece-me desistir. A raiva esvaiu-se, o amor desvaneceu-se, ficou muito pouco daquilo que eu sonhava. Peço desculpa a mim própria. Não sei onde fui parar.
Apetece-me desistir. A raiva esvaiu-se, o amor desvaneceu-se, ficou muito pouco daquilo que eu sonhava. Peço desculpa a mim própria. Não sei onde fui parar.
9.24.2004
Não é para quem quer
Nos últimos jogos pareceu-me que o Rui Jorge estava morto e ninguém o avisou. Mas hoje tive que fazer 'clap clap' por algo que ele disse a um diário desportivo. «Seis pontos já não são o que eram». DUH!!!!!!! Alguém avise por favor essa camada de benfiquistas frustrados que a procissão ainda nem saiu da Igreja, quanto mais chegar ao adro!
Mas a culpa também é dos meus colegas. A imprensa está a fazer um carnaval com os tais seis pontos porque não tem mais nada para escrever. E o pacóvio do benfiquista, com as botas bem engraxadinhas e o rabiosque inchado, grita alto e bom som «Este ano é que é». Onde é que eu já ouvi isto? Memory anyone???
Mas a culpa também é dos meus colegas. A imprensa está a fazer um carnaval com os tais seis pontos porque não tem mais nada para escrever. E o pacóvio do benfiquista, com as botas bem engraxadinhas e o rabiosque inchado, grita alto e bom som «Este ano é que é». Onde é que eu já ouvi isto? Memory anyone???
9.23.2004
A espada, a parede e tudo o resto...
Entre a visão dilacerante da perda e recuperação de um sentimento muito intenso de amor, as minhas madrugadas não me deixam dormir.
Não consigo explicar o que senti quando vi o meu pai, o MEU pai, caído no chão do quarto, em convulsões, depois de ter desmaiado as quatro da manhã. Nem recordo bem o que se passou, entre os gritos, o choro convulsivo e o gaguejar ao telefone para o 112. As luzes da ambulância, a maca, tudo confuso na minha cabeça, nebuloso, uma dor imensa. Não tenho tratado bem o meu pai, e vê-lo assim fez-me perceber como sou burra e ingrata. Enquanto o via a arrastar-se no chão, revirando os olhos de dor, lembrava-me da sua imagem de há muitos anos, forte, com bigode negro, aquela voz forte ecoando na minha cabeça. E agora ali estava, o ex-combatente colonial, o meu pai, gemendo de dor no chão sem conseguir dizer uma palavra. Nada pode amenizar esta imagem de impotência e degradação física que está colada por dentro dos meus olhos. E eu, na minha juventude plena, chorando desesperada, desejando que nada de mal lhe acontecesse, pensando em tudo o que eu ainda não fiz e preciso que ele esteja lá para me ajudar. Egoísmo puro. A falta que o meu pai me faz sobrepôs-se a tudo, e eu só soube abraçar a minha mãe e pedir a Deus que nos ajude.
Não consigo explicar o que senti quando vi o meu pai, o MEU pai, caído no chão do quarto, em convulsões, depois de ter desmaiado as quatro da manhã. Nem recordo bem o que se passou, entre os gritos, o choro convulsivo e o gaguejar ao telefone para o 112. As luzes da ambulância, a maca, tudo confuso na minha cabeça, nebuloso, uma dor imensa. Não tenho tratado bem o meu pai, e vê-lo assim fez-me perceber como sou burra e ingrata. Enquanto o via a arrastar-se no chão, revirando os olhos de dor, lembrava-me da sua imagem de há muitos anos, forte, com bigode negro, aquela voz forte ecoando na minha cabeça. E agora ali estava, o ex-combatente colonial, o meu pai, gemendo de dor no chão sem conseguir dizer uma palavra. Nada pode amenizar esta imagem de impotência e degradação física que está colada por dentro dos meus olhos. E eu, na minha juventude plena, chorando desesperada, desejando que nada de mal lhe acontecesse, pensando em tudo o que eu ainda não fiz e preciso que ele esteja lá para me ajudar. Egoísmo puro. A falta que o meu pai me faz sobrepôs-se a tudo, e eu só soube abraçar a minha mãe e pedir a Deus que nos ajude.
9.21.2004
Princesa do Sol
É isto que sou hoje, enquanto este Sol doentio me aquece o corpo e a dúvida me arrepia o coração. Tenho que o dizer em voz baixa, a quem poderei contar o meu último pecado? As minhas pernas tremem outra vez e é um líquido tão transparente que me apetece passar-lhe os dedos, prová-lo com luxúria, não ter medo da insanidade. It's the beast within. Bate forte o músculo do peito enquanto sorrio perante as palavras que eu jurei não repetir. E disse-as, Deus me ajude! No íntimo da madrugada, senti-as... e isso é o mais insano que eu poderia admitir.
Made for each other
É o que significa Teriazoume. Cantado pela voz fenomenal da cipriota Evridiki, em 1992, esta música inspira e angustia ao mesmo tempo.
Bem-vindos.
Ao resto da minha vida.
Bem-vindos.
Ao resto da minha vida.
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