Sinto-me sozinha. As vozes que tenho em meu redor não bastam, não as quero, não as ouço bem. Troco as gargalhadas dos amigos pela voz maviosa da solidão. Tudo em mim se atrasa, a minha vida ficou para trás e eu olho para as luzes em câmara lenta, eu sou uma novela de mau gosto. Não consigo sequer provar as borras da infelicidade. Não estou em lado nenhum, neste momento. É como se caminhasse um deserto, e no deserto tudo é calmo, tudo é igual, tudo é perigoso e ao mesmo tempo ridículo, inútil perante a imensidão igual a si própria. A minha vontade é um marasmo embaraçoso: baixei os braços e não me importo. Pus de lado os veludos, as sombras, os cheiros a rosa queimada, as fotos a preto e branco, as divas que me habitaram a pele desde que me lembro de ser mulher.
Apetece-me desistir. A raiva esvaiu-se, o amor desvaneceu-se, ficou muito pouco daquilo que eu sonhava. Peço desculpa a mim própria. Não sei onde fui parar.
Sem comentários:
Enviar um comentário