Chama-se em mim esse planeta Janeiro, para já, nesta almejada libertação. Devo confessar que, apesar do esforço que fiz nos últimos meses para me manter no caminho certo, deixei que Dezsembro corrompesse a minha rectidão. Levanto-me da cama de manhã e ponho os pés nas nuvens, peço desculpa aos anjos por lhes pisar os caracóis e sigo em direcção à loucura emocional.
Por uma vez, gostava de não pensar em nada disto, e simplesmente deixar que o tempo se encarregue de colocar tudo no seu lugar. Poder ficar a olhar para o state of affairs apenas contemplando (e admirando) o meu poder para lançar a confusão no meu mundo.
Acima de tudo, observando a suprema ironia que é recusar com desprezo aquilo que se quis com todas as forças durante um significativo conjunto de tempos. Agora, nem que pinte o meu coração de ouro: esses sentimentos, não há maneira de voltar.
12.28.2004
12.24.2004
Something happens and I'm head over heels
Véspera de Natal solarenga, no ar do meu quarto respira-se Tears for Fears e eu deparo-me com uma nova encruzilhada. Nenhuma decisão é certa antes que o imprevisível nos salte ao caminho. Há assim sombras que me confundem, nesta época doce de Navidad.
Deitei o lixo fora há algumas noites, isso é irreversível. Mas quando surgem duas prendas e só se pode escolher uma, o que se faz? Não posso rasgar o papel antes de decidir.
Swear to God, sometimes the only thing I feel like doing is blowing it all up.
Deitei o lixo fora há algumas noites, isso é irreversível. Mas quando surgem duas prendas e só se pode escolher uma, o que se faz? Não posso rasgar o papel antes de decidir.
Swear to God, sometimes the only thing I feel like doing is blowing it all up.
12.19.2004
I'm a Santa
Sempre que chega o Natal eu não sou atacada de melancolia, mas sim da sensação que algo me está a escapar. Está difícil, isto. Obrigo-me a concentrar no inexplicável regresso do D., mas o R. continua a viver na minha cabeça noite e dia, noite e dia, até à exaustão de princípios.
Tal como me avisou o meu anjo H., é preciso ter inteligência emocional. E eu tomei a decisão certa, mas quem diz que isso arranca de uma vez aquilo que já estava enraízado dentro de mim? Diz o H. que não percebe, porque ele é tão diferente de mim, precisa de alguém do nível dele. Não sei o que é isso do nível. Eu sei que gosto e sofro, é só.
Tal como me avisou o meu anjo H., é preciso ter inteligência emocional. E eu tomei a decisão certa, mas quem diz que isso arranca de uma vez aquilo que já estava enraízado dentro de mim? Diz o H. que não percebe, porque ele é tão diferente de mim, precisa de alguém do nível dele. Não sei o que é isso do nível. Eu sei que gosto e sofro, é só.
12.13.2004
" No sleep for dreaming" say the architects of life
Por vezes fraquejo. E logo endireito as costas, faço-me rígida, repito interiormente: «é pau na bunda». Algo em mim pretende sabotar-me, porque é mais fácil ceder; mas raios me partam se não hei-de conseguir. I WILL pull this off.
It's in the way you're always hiding from the light, see for yourself: you have been sitting on a time bomb.
It's in the way you're always hiding from the light, see for yourself: you have been sitting on a time bomb.
Insomnia
Cinco e vinte e seis da manhã, não consigo dormir mais. Entre sonhos confusos e uma sensação de que "something is hapenning out there", a minha cabeça não consegue descansar. O meu projecto é tão feroz e tão sacrificante que toma conta de todos os pensamentos. Até porque eu consigo ver a extensão dos resultados, e torna-se difícil não ficar obcecada por eles.
Por outro lado, penso no Duarte. Tenho ciúmes daquela ex-namorada que veio passar cá as férias do Natal e não lhe larga o telemóvel. Mesmo que ele me diga que já não sente nada, que ela foi uma vaca com ele, há sempre uma pontinha de dúvida: e esta ponta dá cabo de mim. R, toda a razão, obsessiva-compulsiva. Não deixo que isto me afecte demasiado, aprendi muitas lições úteis ao longo do último ano e estou a pô-las em prática. Também me apraz fenomenalmente que tenha sido ele a vir atrás de mim, depois tudo o que eu batalhei e que julguei ter perdido. Confesso que não pensava que isto fosse possível. O Duarte, a grande paixão da minha vida, a telefonar todos os dias? «Olho para a frente e vejo-te a ti», disse-me, «e se é a ti que quero, vou atrás, sabes que sou muito directo».
As voltas que o mundo dá só surpreendem os mais desatentos. Afinal, não precisei de fazer nada para conseguir aquilo que em dois anos não me foi possível. Apenas existir. Porque será que ele não me esqueceu? Porque será que marquei tanto uma pessoa que é de longe a mais bonita e perfeita que já conheci ( e não, não estou a ser exagerada nem injusta com ninguém)?
Quando penso nas pessoas que me traíram ou me fizeram mal de alguma maneira, percebo que o problema foi eu ter colocado demasiado altas expectativas que nunca poderiam ser cumpridas. Esqueci-me que quanto mais baixo é o nivel intelectual e emocional, maior a probabilidade de não perceberem quem é realmente importante. Além do mais, a merda atrai a porcaria, portanto não posso surpreender-me de todo quando sei que fulano se meteu com sicrana. É tudo bosta da mesma vaca.
Livre, portanto, destes inconvenientes, e em paz com o meu passado, quero mesmo ser para o Duarte o que pretendo que ele seja para mim: tudo. Nem me venham com conversas de que isto é romantismo ultrapassado e que hoje a moda é namorar pelado (kkkkkkkkkk). Eu quero ser assim, mulher de um homem só, um tesouro nas suas mãos, quero que ele levante as mãos ao céu e agradeça todos os dias por eu estar com ele. Nenhum amor existe se o seu objecto não for sobrevalorizado. And I love him so dearly!
Por outro lado, penso no Duarte. Tenho ciúmes daquela ex-namorada que veio passar cá as férias do Natal e não lhe larga o telemóvel. Mesmo que ele me diga que já não sente nada, que ela foi uma vaca com ele, há sempre uma pontinha de dúvida: e esta ponta dá cabo de mim. R, toda a razão, obsessiva-compulsiva. Não deixo que isto me afecte demasiado, aprendi muitas lições úteis ao longo do último ano e estou a pô-las em prática. Também me apraz fenomenalmente que tenha sido ele a vir atrás de mim, depois tudo o que eu batalhei e que julguei ter perdido. Confesso que não pensava que isto fosse possível. O Duarte, a grande paixão da minha vida, a telefonar todos os dias? «Olho para a frente e vejo-te a ti», disse-me, «e se é a ti que quero, vou atrás, sabes que sou muito directo».
As voltas que o mundo dá só surpreendem os mais desatentos. Afinal, não precisei de fazer nada para conseguir aquilo que em dois anos não me foi possível. Apenas existir. Porque será que ele não me esqueceu? Porque será que marquei tanto uma pessoa que é de longe a mais bonita e perfeita que já conheci ( e não, não estou a ser exagerada nem injusta com ninguém)?
Quando penso nas pessoas que me traíram ou me fizeram mal de alguma maneira, percebo que o problema foi eu ter colocado demasiado altas expectativas que nunca poderiam ser cumpridas. Esqueci-me que quanto mais baixo é o nivel intelectual e emocional, maior a probabilidade de não perceberem quem é realmente importante. Além do mais, a merda atrai a porcaria, portanto não posso surpreender-me de todo quando sei que fulano se meteu com sicrana. É tudo bosta da mesma vaca.
Livre, portanto, destes inconvenientes, e em paz com o meu passado, quero mesmo ser para o Duarte o que pretendo que ele seja para mim: tudo. Nem me venham com conversas de que isto é romantismo ultrapassado e que hoje a moda é namorar pelado (kkkkkkkkkk). Eu quero ser assim, mulher de um homem só, um tesouro nas suas mãos, quero que ele levante as mãos ao céu e agradeça todos os dias por eu estar com ele. Nenhum amor existe se o seu objecto não for sobrevalorizado. And I love him so dearly!
12.11.2004
Back from the States
E aqui estou eu de volta, para o resto da minha vida. Foi uma viagem inesquecível, em todo e cada pormenor. O concerto dos Tears for Fears, inexplicável. O hotel, a Union Square, Chinatown, o Macy's, a Niketown, o Moscone Center... Pela primeira vez em toda a minha longa cronologia de viagens, não quis regressar. Queria ter ficado só mais um tempo longe de tudo, naquela cidade maravilhosa, quem sabe conhecer mais um pouco da Califórnia. Impressionante como em cada viagem fico a gostar mais do país, eu, que um dia disse não pretender pôr lá os pés NUNCA! Careful what wish for (...and this one goes to that time in Israel too!!!).
Mas tive razões para voltar. Somethings to come back to. A minha Angel, o meu Hugo, o meu quase-novo-namorado-Duarte e um projecto muito bem desenhado dentro da minha cabeça acerca das transformações a fazer em mim. Muito trabalho pela frente, e muitos sacrifícios a impôr. But I will get there. E há coisas que não vão voltar jamais, porque banidas deste mundo: é pau na bunda.
Mas tive razões para voltar. Somethings to come back to. A minha Angel, o meu Hugo, o meu quase-novo-namorado-Duarte e um projecto muito bem desenhado dentro da minha cabeça acerca das transformações a fazer em mim. Muito trabalho pela frente, e muitos sacrifícios a impôr. But I will get there. E há coisas que não vão voltar jamais, porque banidas deste mundo: é pau na bunda.
12.06.2004
San Francisco, here I am!
Fantastica. E o minimo que se pode dizer acerca desta cidade, onde o glamour e a qualidade de vida se respiram em cada esquina, apesar dos inevitaveis homeless que vao aparecendo. E um paraiso para as mulheres: nunca vi tanta loja breath taking junta depois da 5th Avenue em Nova Iorque! Melhor que tudo, um atendimento excepcional, precos que nada tem a ver com a extorcao praticada em Portugal e um ambiente natalicio prestes a deixar-me comovida. Ja decidi que S. Francisco e a minha cidade preferida deste lado do Atlantico. Nem Las Vegas foi tao cosmopolita! Quanto ao primeiro dia de conferencia, astonishing. A Carly Fiorina e realmente uma grande oradora e o low profile de Chuck Phillips, que ascendeu ao cargo de presidente da Oracle, esta a funcionar categoricamente no confronto entre os executivos e os jornalistas no que respeita a embrulhada com a PeopleSoft. Mal posso esperar pela keynote do Larry Ellison, para ver como ele descalca essa bota. Entretanto, fiquei a saber que a festa que sempre encerra estes eventos vai ser abrilhantada pelos Tears for Fears. Nada mal para alguem que adora a pop dos anos oitenta como eu! Ok, vou almocar (sim a comida e pessima) e vou para as sessoes da tarde. Love my life right now!!!!!
12.02.2004
Foreign sounds
Gostaria de ter ficado na cama, hoje. Dói-me a cabeça, acho que é de sonhar a noite toda com o que não devia. Durante o dia evito ao máximo pensar no que passou e no que morreu. Mas à noite sou traída pela (in)consciência e ele aparece com toda a força, um morto saído da campa onde lhe atirei com pazadas de terra, um terrorismo ao qual não sei fugir quando me deixo levar pelo simpático Morfeu.
Depois levanto-me a custo e o que vejo na janela? Nuvens e mais nuvens, um vento irritante a desancar as folhas nas árvores, o chão meio húmido, meio seco, enfim, um dia de Outono mais ou menos cruél.
Ainda nem fiz a mala, não tratei de nada, e tenho de estar no aeroporto às seis e meia da manhã de Sábado. Não vou em Business First, como havia desejado, vou em Leisure, que é uma forma simpática de dizer classe-dos-bancos-em-que-se-vai-direito-que-nem-um-carapau. Dez horas de viagem nisto, senhores. E sem contar com as duas horas e meia daqui até Londres, claro. Vou chegar lá completamente de rastos, vai ser desesperante, creio.
Por ora, só quero que me passe esta dor de cabeça para poder acabar os textos todos que tenho para escrever e pôr-me nas meretrizes. Preciso de qualquer coisa, ainda não seí é o quê.
Depois levanto-me a custo e o que vejo na janela? Nuvens e mais nuvens, um vento irritante a desancar as folhas nas árvores, o chão meio húmido, meio seco, enfim, um dia de Outono mais ou menos cruél.
Ainda nem fiz a mala, não tratei de nada, e tenho de estar no aeroporto às seis e meia da manhã de Sábado. Não vou em Business First, como havia desejado, vou em Leisure, que é uma forma simpática de dizer classe-dos-bancos-em-que-se-vai-direito-que-nem-um-carapau. Dez horas de viagem nisto, senhores. E sem contar com as duas horas e meia daqui até Londres, claro. Vou chegar lá completamente de rastos, vai ser desesperante, creio.
Por ora, só quero que me passe esta dor de cabeça para poder acabar os textos todos que tenho para escrever e pôr-me nas meretrizes. Preciso de qualquer coisa, ainda não seí é o quê.
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