Gostaria de ter ficado na cama, hoje. Dói-me a cabeça, acho que é de sonhar a noite toda com o que não devia. Durante o dia evito ao máximo pensar no que passou e no que morreu. Mas à noite sou traída pela (in)consciência e ele aparece com toda a força, um morto saído da campa onde lhe atirei com pazadas de terra, um terrorismo ao qual não sei fugir quando me deixo levar pelo simpático Morfeu.
Depois levanto-me a custo e o que vejo na janela? Nuvens e mais nuvens, um vento irritante a desancar as folhas nas árvores, o chão meio húmido, meio seco, enfim, um dia de Outono mais ou menos cruél.
Ainda nem fiz a mala, não tratei de nada, e tenho de estar no aeroporto às seis e meia da manhã de Sábado. Não vou em Business First, como havia desejado, vou em Leisure, que é uma forma simpática de dizer classe-dos-bancos-em-que-se-vai-direito-que-nem-um-carapau. Dez horas de viagem nisto, senhores. E sem contar com as duas horas e meia daqui até Londres, claro. Vou chegar lá completamente de rastos, vai ser desesperante, creio.
Por ora, só quero que me passe esta dor de cabeça para poder acabar os textos todos que tenho para escrever e pôr-me nas meretrizes. Preciso de qualquer coisa, ainda não seí é o quê.
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