Expressão idiomática utilizada em noites de borga entre mim e a Bela. Hoje mais do que nunca gostava de poder dizê-la, assim alto e bom som, mas não me é em verdade permitido. Porque não sei o que quero, e não sei se o que me parece que quero está certo ou é asneirada. Acordei de madrugada e não consegui adormecer mais, a pensar em tudo o que se passou nos últimos meses, em como a minha vida acabou mesmo por mudar e como é estranho o estado de coisas em que me lancei. A única âncora que me mantém serena é a ideia de que mais cedo ou mais tarde tudo se compõe, porque o que tem de ser tem muita força e eventualmente produzir-se-á.
Curioso, não? Como é que depois de tanta relação falhada na minha vida, tanta experiência acumulada e tanta maturidade ganha eu resolvo as minhas indecisões confiando no destino, na sorte, uma qualquer entidade intangível que supostamente força ou impede os acontecimentos.
Só que neste momento, é mais seguro confiar no desconhecido que na minha capacidade de decidir, tal é a desarrumação que impera na minha cabeça.
1.31.2005
1.27.2005
Cantaremos só para ti, SPORTING, SPORTING!
É assim que me acontecem estas derrotas: visto-me de verde e exibo com orgulho o meu cachecol, para que o mundo saiba que nós, Sportinguistas doentes, somos diferentes. Impossível dissociar o Sporting de mim, da minha vida, da minha paixão, da minha obsessão. O Sporting é vida. Por isso tapo os ouvidos ao mundo e cantarolo dentro de mim «Força força Sporting, contigo em toda a parte eu te amo, contigo quero dar a volta ao mundo, quero passar contigo todo o ano todo o ano, isso que diz toda a gente, que somos violentos e somos delinquentes, não lhes faço caso, vou a todo o lado, sou da Juve Leo, sou descontrolado...»
FORÇA FORÇA SPOOOOOOOOOOORTIIIIIIIIIIIIIIINNNNGGGGGG!!!!!!!!!
FORÇA FORÇA SPOOOOOOOOOOORTIIIIIIIIIIIIIIINNNNGGGGGG!!!!!!!!!
1.26.2005
Stand and deliver
Cria a tua fama e deita-te na cama. Arrasto-me pelas ruas estreitas neste dia frio e cheio de sol. Não sei o que acontece comigo, porque é que preciso constantemente de inventar leit-motivs para não desistir de mim. Tudo me parece andar para trás, farto-me das coisas que penso, farto-me de pensar sobre as coisas que penso. Sou um desastre emocional, e no entanto consigo sempre segurar as pontas, dobrar sem nunca quebrar. Das duas uma, ou isto é uma extraordinária qualidade da minha força e independência, ou é um entrave teimoso que não me deixa amar nem sofrer como deveria.
A desilusão faz-me suspender o sentimento, abafá-lo e escondê-lo como se não existisse, embora eu saiba que ele está por debaixo das cobertas. E o pavor de ser infeliz faz-me suspender o sofrimento, finjo que não existe, que bastou amputar o que estava a mais, vomitar o que sentia, e tudo queda como antes.
Tento ser fria para me manter equilibrada. Tento pensar no meu trabalho, na minha vida, no meu egoísmo exacerbado, nas coisas que me dão prazer e as pessoas que quero manter do meu lado. E entretanto, pelo esforço que faço em não me apaixonar, acabo por ir parar a situações extraordinariamente perigosas. Atraem-me os impossíveis, e assim nunca nada de bom poderá acontecer.
Ainda estou a caminho da maturidade, e há muitas coisas a resolver na minha cabeça.
A desilusão faz-me suspender o sentimento, abafá-lo e escondê-lo como se não existisse, embora eu saiba que ele está por debaixo das cobertas. E o pavor de ser infeliz faz-me suspender o sofrimento, finjo que não existe, que bastou amputar o que estava a mais, vomitar o que sentia, e tudo queda como antes.
Tento ser fria para me manter equilibrada. Tento pensar no meu trabalho, na minha vida, no meu egoísmo exacerbado, nas coisas que me dão prazer e as pessoas que quero manter do meu lado. E entretanto, pelo esforço que faço em não me apaixonar, acabo por ir parar a situações extraordinariamente perigosas. Atraem-me os impossíveis, e assim nunca nada de bom poderá acontecer.
Ainda estou a caminho da maturidade, e há muitas coisas a resolver na minha cabeça.
1.25.2005
Trick me
Nesta recta final de Janeiro, não posso deixar de estar surpreendida com as mutações infernais dos meus sentimentos. Não era para ser ele, eu não pensava que podia ser ele. E em pouquíssimo tempo emocional, dou por mim a pensar nele o dia todo. Adormeço a pensar nele, acordo a pensar nele, recordo alguma expressão, algum sorriso, algum toque, algum beijo que volta a arrepiar-me como quando foi produzido.
Sinto-me tonta, incompetente, mas eu sei como sou. Eu conheço a minha forma de lidar com os sentimentos. Não sei fingir. Reconheço esta vontade de estar com ele a toda a hora, reconheço o sofrimento que me causa a despedida, reconheço esta sensação de pisar os anjos ao descer das nuvens. Não consigo racionalizar esta onda de paixão que me invadiu, porque não era ele, não era para ser ele, não sei como cheguei a este ponto.
Não foi uma transferência, e não foi uma substituição. Foi como tudo tem sido na minha vida: um flash, a paixão à segunda vista, a conquista silenciosa que alcança mais um pouco de mim todos os dias.
E deixa-me profundamente alucinada ouvir razões, cautelas, prudências e toda essa conversa da treta. Porque é que não me deixas viver isto? Por uma vez não quero pensar em nada, nem ser temerosa nem nada disso. Eu gosto, gosto, gosto, e isto inunda-me e não quero ser racional, estou-me bem borrifando para essa conversa mole. Eu sei o que quero agora, hoje, já. Porque se há coisa que aprendi é que ter medo que a vontade acabe é meio caminho andado para dar cabo dela.
Sinto-me tonta, incompetente, mas eu sei como sou. Eu conheço a minha forma de lidar com os sentimentos. Não sei fingir. Reconheço esta vontade de estar com ele a toda a hora, reconheço o sofrimento que me causa a despedida, reconheço esta sensação de pisar os anjos ao descer das nuvens. Não consigo racionalizar esta onda de paixão que me invadiu, porque não era ele, não era para ser ele, não sei como cheguei a este ponto.
Não foi uma transferência, e não foi uma substituição. Foi como tudo tem sido na minha vida: um flash, a paixão à segunda vista, a conquista silenciosa que alcança mais um pouco de mim todos os dias.
E deixa-me profundamente alucinada ouvir razões, cautelas, prudências e toda essa conversa da treta. Porque é que não me deixas viver isto? Por uma vez não quero pensar em nada, nem ser temerosa nem nada disso. Eu gosto, gosto, gosto, e isto inunda-me e não quero ser racional, estou-me bem borrifando para essa conversa mole. Eu sei o que quero agora, hoje, já. Porque se há coisa que aprendi é que ter medo que a vontade acabe é meio caminho andado para dar cabo dela.
Adeus Fehér
Faz hoje precisamente um ano que a morte desceu aos meus olhos, sob a forma de uma queda solitária num relvado molhado de chuva e humidade. A morte de Mikki Fehér. Quem esteve comigo na altura sabe como foi difícil para mim esquecer toda a desesperança que se assomou com a sua morte... e como fui criticada por ter chorado, por ter ido ao estádio da luz (com letra pequena) ao jogo de homenagem, por me ter condoído com o desaparecimento de alguém que não conheci pessoalmente. Bolas, afectou-me. E neste primeiro e triste aniversário da sua morte, desejo muita paz à sua alma e àqueles que ele deixou a morrer em vida.
Neste 25 de Janeiro faz também um ano que eu conheci o Rui. É só isso mesmo: uma efeméride, uma nota, um post-it. Porque aquilo que eu sinto por ele agora é zero. Nem sequer amizade. Por mim, pode estar bem ou mal, perto ou longe, gordo ou magro, que é para o lado que eu durmo melhor. Destruiu tudo o que eu sentia, portanto resta uma recordação doce de momentos.
Neste 25 de Janeiro faz também um ano que eu conheci o Rui. É só isso mesmo: uma efeméride, uma nota, um post-it. Porque aquilo que eu sinto por ele agora é zero. Nem sequer amizade. Por mim, pode estar bem ou mal, perto ou longe, gordo ou magro, que é para o lado que eu durmo melhor. Destruiu tudo o que eu sentia, portanto resta uma recordação doce de momentos.
1.24.2005
Enguiço
É incompreensível como é que se concretiza aquilo que parece uma piada. Que esta segunda-feira iria ser o dia mais deprimente do ano. Não posso dizer que estou miserável, mas sucedem-se irritações atrás de irritações e eu começo a desejar apenas enfiar-me em casa. Depois é a anunciada vaga de frio. Chiça. Já não bastava a consciência brutal de não estar no Verão, ainda tinha que vir um memorando acerca do facto de estarmos em pleno Inverno. Tudo isto me deixa hoje profundamente irritada, apesar da excelente vitória do Sporting e da derrota do Benfica, e também de um fim-de-semana pleno de carinho, algo que eu estava mesmo a precisar.
Mas o meu discman resolveu deixar de ler cds de MP3, o meu PC não me deixa ouvir música com phones e estou numa correria desenfreada para fechar o suplemento de servidores para o qual não consegui aproveitar montes de coisas úteis.
Apetece-me gritar, basicamente.
Mas pelo menos comprei uma televisão ENORME para a minha nova casa. Hoje descobri é que vou receber menos 147 euros por causa do tempo em que estive de baixa...
Fosga-se. Apre. Co' a breca. O dia mais infeliz do ano nunca vem só...
Mas o meu discman resolveu deixar de ler cds de MP3, o meu PC não me deixa ouvir música com phones e estou numa correria desenfreada para fechar o suplemento de servidores para o qual não consegui aproveitar montes de coisas úteis.
Apetece-me gritar, basicamente.
Mas pelo menos comprei uma televisão ENORME para a minha nova casa. Hoje descobri é que vou receber menos 147 euros por causa do tempo em que estive de baixa...
Fosga-se. Apre. Co' a breca. O dia mais infeliz do ano nunca vem só...
1.20.2005
Avisa
Resolução: deixar de acreditar em segundas oportunidades. When people show you who they are, believe them the first time. Neste ponto da minha vida, só falham comigo uma vez. Preciso de ser inflexível para não me tornar ridícula. As estórias passam a terminar antes de se tornarem novelas.
Quero ver, se eu cair agora quem é que vai me levantar. Vou sair, pra preencher o vazio no peito, tou meio sem jeito de falar. Avisa, avisa. Se o sol brilhar de novo no horizonte, pode crer que eu tou lá pra ver.
Quero ver, se eu cair agora quem é que vai me levantar. Vou sair, pra preencher o vazio no peito, tou meio sem jeito de falar. Avisa, avisa. Se o sol brilhar de novo no horizonte, pode crer que eu tou lá pra ver.
1.18.2005
Pintura de Guerra
A música de hoje é "I Need A Miracle" (Fragma). Mas do que eu preciso mesmo é largar de ser chata, sempre a queixar-me da má sorte, do erro de pontaria, da incompetência emocional. Chega dessa conversa mole. Estou a ser demasiado portuguesa nos últimos tempos. Se calhar é do Inverno que se arrasta, da minha idade que avança, dos projectos que continuam pendurados em fios de aranha nas paredes do meu quarto. Ou talvez não seja nada a não ser uma tendência natural para a descrença e uma propensão crónica para pretender aquilo que está além.
Mas já dizia o outro: se renunciares ao que está perto, ganharás o que está longe. Apesar de não haver necessidade que eu tome qualquer decisão, eu vou apostar de uma vez. Decidi que quero, e hei-de lutar por isso até me esfarrapar toda.
E nunca ninguém me há-de ouvir queixar por isso. It's my call now, and I'm over being such a cry baby.
P.S. Pela primeira vez na vida não sei se vou votar Bloco de Esquerda, como é de minha convicção, ou Partido-Sócrates-Socialista, para ajudar a evitar que a Direita volte a sentar o real cú no Governo. Dispenso lições de política económica ou post-its relacionados com as duas legislaturas PS. Derivando do meu trabalho como jornalista de economia, será muito difícil que alguém mude a minha posição quanto à avaliação da coligação que impingiu o nosso destino de 2002 para cá.
A minha única dúvida é: a vitória do PS está assegurada ou vou ter de fazer campanha por um partido que não é o meu só para evitar que nos aconteça um mal maior?
Não perderei os próximos episódios da pré-campanha.
Mas já dizia o outro: se renunciares ao que está perto, ganharás o que está longe. Apesar de não haver necessidade que eu tome qualquer decisão, eu vou apostar de uma vez. Decidi que quero, e hei-de lutar por isso até me esfarrapar toda.
E nunca ninguém me há-de ouvir queixar por isso. It's my call now, and I'm over being such a cry baby.
P.S. Pela primeira vez na vida não sei se vou votar Bloco de Esquerda, como é de minha convicção, ou Partido-Sócrates-Socialista, para ajudar a evitar que a Direita volte a sentar o real cú no Governo. Dispenso lições de política económica ou post-its relacionados com as duas legislaturas PS. Derivando do meu trabalho como jornalista de economia, será muito difícil que alguém mude a minha posição quanto à avaliação da coligação que impingiu o nosso destino de 2002 para cá.
A minha única dúvida é: a vitória do PS está assegurada ou vou ter de fazer campanha por um partido que não é o meu só para evitar que nos aconteça um mal maior?
Não perderei os próximos episódios da pré-campanha.
1.17.2005
Flic Flac
Chega um ponto em que de facto é preciso tomar uma decisão. Hoje tomo a minha.
E seja o que Deus quiser. Não posso é enganar a mim e aos outros com devaneios.
Raios. Porque é isto tão complicado?
E seja o que Deus quiser. Não posso é enganar a mim e aos outros com devaneios.
Raios. Porque é isto tão complicado?
1.14.2005
Circular
Há pouco pensei na perfeição da metáfora "rotunda" quando aplicada ao actual momento da minha vida. Conduzo-me pela faixa de dentro, cosida com o volante, olhando para as placas de direcção sem saber para onde guinar, que saída escolher. É desesperante.
Por uma vez, preciso de me abster de tomar decisões definitivas. Não sei o que quero, nem quem quero, portanto todas as escolhas são possíveis. Para quê obrigar-me a um objectivo rígido, colocando os outros de lado? Eu sei por quem quero lutar hoje, mas não me vou atirar de cabeça porque nada me garante que daqui a algum tempo esse desejo se tenha desvanecido completamente.
Por uma vez, tenho mesmo de aprender a não ser obssessiva com o futuro, tentando controlá-lo desesperadamente. Por uma vez, tenho deixar que a vida me leve.
Por uma vez, preciso de me abster de tomar decisões definitivas. Não sei o que quero, nem quem quero, portanto todas as escolhas são possíveis. Para quê obrigar-me a um objectivo rígido, colocando os outros de lado? Eu sei por quem quero lutar hoje, mas não me vou atirar de cabeça porque nada me garante que daqui a algum tempo esse desejo se tenha desvanecido completamente.
Por uma vez, tenho mesmo de aprender a não ser obssessiva com o futuro, tentando controlá-lo desesperadamente. Por uma vez, tenho deixar que a vida me leve.
1.13.2005
Senti la rabbia
Se gosto de ti, se gostas de mim, se isto não chega tens o mundo ao contrário. Pois, o meu mundo está mesmo de pernas para o ar, mas pelo facto doloroso e inquestionável de que não gostas de mim. Quem ouve o relato das minhas encruzilhadas diz que eu sou melhor que uma novela mexicana. É só sentar e assistir!
O talvez para mim não serve de nada. Continuo num cantinho pequenino da minha alma a ter esperança de que algo surpreendente venha mudar o rumo das coisas, mas está a ficar cada vez mais difícil. E o que temos de novo nesta situação? Nada.
Que tristeza. Que degradação. Incompetência emocional, não me canso de o repetir. Estupidez crónica.
E eu, que luto teimosamente contra a depressão e a desistência, ponho a tocar as músicas da minha vida, engulo a desilusão e ponho Red Bull na garganta para não me engasgar tanto. Também continuo a insistir que um dia esta tristeza acaba. Um dia, eu vou perceber porque é que nenhum destes corpos que passou por mim não ficou do meu lado. Um dia, tudo isto vai fazer um sentido aterrador.
O talvez para mim não serve de nada. Continuo num cantinho pequenino da minha alma a ter esperança de que algo surpreendente venha mudar o rumo das coisas, mas está a ficar cada vez mais difícil. E o que temos de novo nesta situação? Nada.
Que tristeza. Que degradação. Incompetência emocional, não me canso de o repetir. Estupidez crónica.
E eu, que luto teimosamente contra a depressão e a desistência, ponho a tocar as músicas da minha vida, engulo a desilusão e ponho Red Bull na garganta para não me engasgar tanto. Também continuo a insistir que um dia esta tristeza acaba. Um dia, eu vou perceber porque é que nenhum destes corpos que passou por mim não ficou do meu lado. Um dia, tudo isto vai fazer um sentido aterrador.
1.12.2005
Reveillon Parte II
De modos que eram onze e meia e lá estávamos as duas metidas no barracão verde, a vestirmos o short e o soutien que compunha a roupa da primeira parte do show num canto. Maquilha para aqui, calça meia para ali, e menos nada os gritos, fogo-de-artifício, champanhe a rebentar, entrámos em 2005. «Feliz ano novo para ti amiga» «Para você também» «Achas que é melhor dobrar a fita ou atá-la?» Demos um abraço e continuámos. Daí a 15 minutos entraríamos em palco.
Nem por isso estavámos nervosas, mas quando finalmente soaram os acordes da 'Brincadeira da Tomada' e nós fizemos a nossa entrada triunfal, a Angel errou toda a coreografia. Eu não sabia se ria ou se chorava, mas era uma para o lado, outra para o outro, um desastre. As músicas a seguir já correram bem, até ao primeiro intervalo: a Angel foi a correr vomitar no barracão (segunda sessão nojo), não entrou a tempo na segunda parte, menos nada os adolescentes primatas que estavam a hurrar lá em baixo começaram a trepar o palco e um deles agarrou-me na perna. Mantive o sorriso e dei um ligeiro pontapé, dancei para trás, fiz algumas macacadas com o gajo do cavaquinho e deu o segundo intervalo.
Aí que o bicho pegou. Hordes de adolescentes em brasa descobriram o camarim e começaram a abalroar a lona, eu e a Angel estupefactas lá dentro, já a pensar que íamos ter de fugir palco adentro. Entretanto, um pequenote deprimente que fazia parte da organização do espectáculo, já em fase de paixão crónica pela Angel, colocou-se à entrada do camarim a dizer em açoriano «Aqui ninguém mexe!» Os adolescentes ululavam ainda, e ele entrou para pegar uma garrafa vazia de whiskey (sim, os membros da banda bebiam que nem gente grande). Eu e a Angel olhámos uma para a outra e pensámos Nossa agora vai sair pau ele vai acabar com a raça deles!
Não dá dois minutos, e o pequenote volta a entrar camarim a dentro, mas desta feita de costas e a 120 km por hora, depois de ter sido escolachado pelos imberbes nativos de Povoação. Eu corri para cima do palco e de lá não saí mais, numa histeria entre a incredulidade e a adrenalina. Berros lá em baixo, telemóveis e máquinas a clicar o tempo todo, uma loucura. Quando o show finalmente acabou, descemos todos para o barracão e eis que vem a reedição da histeria. Um dos jovens maluquetes viu-me tirar o short por baixo da saia comprida e não mais se calou a noite inteira: «Dá-me as túes cuecas, per favooor». Foi depois um regabofe de autógrafos, fotos, beijinhos para aqui e para ali, e o pequenote a aperceber-se que estava perto a hora da despedida, que não mais ia ver a Angel, os olhos embaciados comoveram-me e deprimiram-me imensamente. Putos a bater nas janelas da carrinha, e vimos Povoação afastar-se na estrada com um alívio continental. Que terra perdida no mundo, que gente esquecida por Deus e pelo Diabo!
Hora e meia depois, de volta ao hotel. Tivemos permissão de dormir duas horas, porque íamos apanhar o avião das oito e quarenta e cinco. As coisas que o corpo aguenta. Assaltámos que nem indigentes a sala de pequeno-almoço, a qual rondávamos desde as 7 e 20, e lá voltámos para Lisboa, meio atordoados com a experiência acabada de vivenciar.
Antes de aterrar na Portela ainda houve tempo para mais um disparate: um viajante que ia sentado na nossa fila meteu conversa, disse que também era músico, perguntou se éramos bailarinas. Que sim, que somos. E ele comentou então, que no Casino Estoril estavam a precisar de bailarinas, que era tudo super profissional, bem pago, que volta e meia só era preciso «mostrar as maminhas». Foi a machadada final. Corri para a recolha de bagagem como se fugisse de um pit bull e enquanto não coloquei os pés no chão lisboeta não descansei. Deixei de ouvir o que me diziam, estava morta de cansaço. Então foi giro? E eu nem soube o que responder.
Foi surreal.
Mas o meu bolso voltou com 250 euros a mais.
Nem por isso estavámos nervosas, mas quando finalmente soaram os acordes da 'Brincadeira da Tomada' e nós fizemos a nossa entrada triunfal, a Angel errou toda a coreografia. Eu não sabia se ria ou se chorava, mas era uma para o lado, outra para o outro, um desastre. As músicas a seguir já correram bem, até ao primeiro intervalo: a Angel foi a correr vomitar no barracão (segunda sessão nojo), não entrou a tempo na segunda parte, menos nada os adolescentes primatas que estavam a hurrar lá em baixo começaram a trepar o palco e um deles agarrou-me na perna. Mantive o sorriso e dei um ligeiro pontapé, dancei para trás, fiz algumas macacadas com o gajo do cavaquinho e deu o segundo intervalo.
Aí que o bicho pegou. Hordes de adolescentes em brasa descobriram o camarim e começaram a abalroar a lona, eu e a Angel estupefactas lá dentro, já a pensar que íamos ter de fugir palco adentro. Entretanto, um pequenote deprimente que fazia parte da organização do espectáculo, já em fase de paixão crónica pela Angel, colocou-se à entrada do camarim a dizer em açoriano «Aqui ninguém mexe!» Os adolescentes ululavam ainda, e ele entrou para pegar uma garrafa vazia de whiskey (sim, os membros da banda bebiam que nem gente grande). Eu e a Angel olhámos uma para a outra e pensámos Nossa agora vai sair pau ele vai acabar com a raça deles!
Não dá dois minutos, e o pequenote volta a entrar camarim a dentro, mas desta feita de costas e a 120 km por hora, depois de ter sido escolachado pelos imberbes nativos de Povoação. Eu corri para cima do palco e de lá não saí mais, numa histeria entre a incredulidade e a adrenalina. Berros lá em baixo, telemóveis e máquinas a clicar o tempo todo, uma loucura. Quando o show finalmente acabou, descemos todos para o barracão e eis que vem a reedição da histeria. Um dos jovens maluquetes viu-me tirar o short por baixo da saia comprida e não mais se calou a noite inteira: «Dá-me as túes cuecas, per favooor». Foi depois um regabofe de autógrafos, fotos, beijinhos para aqui e para ali, e o pequenote a aperceber-se que estava perto a hora da despedida, que não mais ia ver a Angel, os olhos embaciados comoveram-me e deprimiram-me imensamente. Putos a bater nas janelas da carrinha, e vimos Povoação afastar-se na estrada com um alívio continental. Que terra perdida no mundo, que gente esquecida por Deus e pelo Diabo!
Hora e meia depois, de volta ao hotel. Tivemos permissão de dormir duas horas, porque íamos apanhar o avião das oito e quarenta e cinco. As coisas que o corpo aguenta. Assaltámos que nem indigentes a sala de pequeno-almoço, a qual rondávamos desde as 7 e 20, e lá voltámos para Lisboa, meio atordoados com a experiência acabada de vivenciar.
Antes de aterrar na Portela ainda houve tempo para mais um disparate: um viajante que ia sentado na nossa fila meteu conversa, disse que também era músico, perguntou se éramos bailarinas. Que sim, que somos. E ele comentou então, que no Casino Estoril estavam a precisar de bailarinas, que era tudo super profissional, bem pago, que volta e meia só era preciso «mostrar as maminhas». Foi a machadada final. Corri para a recolha de bagagem como se fugisse de um pit bull e enquanto não coloquei os pés no chão lisboeta não descansei. Deixei de ouvir o que me diziam, estava morta de cansaço. Então foi giro? E eu nem soube o que responder.
Foi surreal.
Mas o meu bolso voltou com 250 euros a mais.
1.10.2005
Até onde vai o firmamento
«Os fios da minha mente perdidos num espaço projectado além do presente. O amor quer-se absoluto e não mentido na ideia de infinito, intangível como se o plano fosse diferido da própria vida. Lá fora, a noite. As luzes inertes da cidade a comungar de um espírito cruelmente doce, californiano, o Inverno embrulhado pela madrugada. Ouço-me em S.Francisco pensar num futuro diferente. Um único momento guinou a minha vida. Tenho-a na mão à espera de acontecer. O que desejo eu neste momento de glória e insatisfação? Ultrapassar-me de uma vez por todas».
Meus amigos: chegou o momento.
Meus amigos: chegou o momento.
Antes que amanheça
Não são ainda seis da manhã e já estou a pé, o sono confunde-se com o amor. Penso em ti o tempo todo, perturbas-me as horas com sonhos confusos. Inexplicavelmente inundada de uma paixão territorial, repenso a minha vida e não sei bem o que fazer comigo. Mas sei bem o que queria fazer. É uma CERTEZA. E não a posso dizer, embora tenha de a reconhecer. I love you, como nos filmes.
1.05.2005
Veneno e Açúcar
A antecipação deste fim-de-ano foi muito entusiasmada. Eu e a Angel fizemos roupas especiais para o show com a banda brasileira, embarcámos naquele avião esperando tudo de bom. Mas algo estava a bater errado desde o momento em que batemos os olhos nos elementos da banda que não conhecíamos. Muito sem piada, sem sal, sem carisma. Adiante. Não tínhamos dormido nessa noite e só queríamos chegar ao hotel e deitar. Que foi o que fizemos... até à hora do lanche, altura em que fomos almoçar (!), fazendo tempo para o momento de partir para Povoação, a terra onde íamos dançar.
Aqui é que o bicho pegou... esperava-nos uma hora e meia de curvas e contra-curvas, com nada em volta a não ser mato. A meio da viagem, alguém gritou em sotaque brasileiro: «pára!pára!». E repente um cheiro nauseabundo inundou as nossas narinas. O rapaz do cavaquinho vomitava copiosamente na carrinha em andamento. Tá a parar no meio do nada, com toda a gente a sair e a vomitar por associação, por nojo. Consegui controlar-me, mas tive de ir o resto do caminho a tiritar de frio, com as janelas todas abertas, para arejar a coisa.
Chegados à Povoação, demos com o palco virado... para a estrada. Mau. E onde é o camarim? Era um barracão verde improvisado nas costas do palco. Mau mau. Depois de angariarmos umas cadeiras, luzes, mesas e águas minerais, ficámos a olhar uns para os outros, a fazer piadas com o cenário, decidindo ir passar as duas horas que restavam até à meia-noite para a única tasca que estava aberta. Péssima ideia!!! Fui várias vezes apanhar o queixo ao chão. Que maralhal de homens feios, feios, feios, de carantonhas mal barbeadas e porcas, fumando e bebendo que nem gente grande. Pareciam parados no penúltimo degrau da evolução da espécie. Olhavam-nos com olhos gulosos. E não se conseguia ver um exemplar com uma fiada de dentes completa. Unbelievable.
De modo que às onze e meia eu e a Angel estávamos de volta ao barracão, para começar a vestir.
(...)
Aqui é que o bicho pegou... esperava-nos uma hora e meia de curvas e contra-curvas, com nada em volta a não ser mato. A meio da viagem, alguém gritou em sotaque brasileiro: «pára!pára!». E repente um cheiro nauseabundo inundou as nossas narinas. O rapaz do cavaquinho vomitava copiosamente na carrinha em andamento. Tá a parar no meio do nada, com toda a gente a sair e a vomitar por associação, por nojo. Consegui controlar-me, mas tive de ir o resto do caminho a tiritar de frio, com as janelas todas abertas, para arejar a coisa.
Chegados à Povoação, demos com o palco virado... para a estrada. Mau. E onde é o camarim? Era um barracão verde improvisado nas costas do palco. Mau mau. Depois de angariarmos umas cadeiras, luzes, mesas e águas minerais, ficámos a olhar uns para os outros, a fazer piadas com o cenário, decidindo ir passar as duas horas que restavam até à meia-noite para a única tasca que estava aberta. Péssima ideia!!! Fui várias vezes apanhar o queixo ao chão. Que maralhal de homens feios, feios, feios, de carantonhas mal barbeadas e porcas, fumando e bebendo que nem gente grande. Pareciam parados no penúltimo degrau da evolução da espécie. Olhavam-nos com olhos gulosos. E não se conseguia ver um exemplar com uma fiada de dentes completa. Unbelievable.
De modo que às onze e meia eu e a Angel estávamos de volta ao barracão, para começar a vestir.
(...)
1.03.2005
É uma escolha que se faz
Primeiro post do ano, o passado foi lá atrás. Entrei em 2005 numa apoteose sinistra, no show mais alucinante que já fiz na vida. Açores, ilha de S.Miguel, Povoação. A decadência total numa terra esquecida por Deus. Hoje quase nem acredito que estivemos lá, que vivemos esses dois dias de loucura total.
Inicio este ano com uma vontade muito espessa de refrescar os horizontes, de limpar a memória do que ficou para trás. Keep the good things, forget everything that you can leave behind. Vim trabalhar quase de madrugada para limpar a minha secretária, colar novos posters na parede, preparar-me para um ano que acredito: será fantástico.
Já nem falta tudo para o Verão...!
*******Feliz 2005 pessoal********
Inicio este ano com uma vontade muito espessa de refrescar os horizontes, de limpar a memória do que ficou para trás. Keep the good things, forget everything that you can leave behind. Vim trabalhar quase de madrugada para limpar a minha secretária, colar novos posters na parede, preparar-me para um ano que acredito: será fantástico.
Já nem falta tudo para o Verão...!
*******Feliz 2005 pessoal********
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