Cria a tua fama e deita-te na cama. Arrasto-me pelas ruas estreitas neste dia frio e cheio de sol. Não sei o que acontece comigo, porque é que preciso constantemente de inventar leit-motivs para não desistir de mim. Tudo me parece andar para trás, farto-me das coisas que penso, farto-me de pensar sobre as coisas que penso. Sou um desastre emocional, e no entanto consigo sempre segurar as pontas, dobrar sem nunca quebrar. Das duas uma, ou isto é uma extraordinária qualidade da minha força e independência, ou é um entrave teimoso que não me deixa amar nem sofrer como deveria.
A desilusão faz-me suspender o sentimento, abafá-lo e escondê-lo como se não existisse, embora eu saiba que ele está por debaixo das cobertas. E o pavor de ser infeliz faz-me suspender o sofrimento, finjo que não existe, que bastou amputar o que estava a mais, vomitar o que sentia, e tudo queda como antes.
Tento ser fria para me manter equilibrada. Tento pensar no meu trabalho, na minha vida, no meu egoísmo exacerbado, nas coisas que me dão prazer e as pessoas que quero manter do meu lado. E entretanto, pelo esforço que faço em não me apaixonar, acabo por ir parar a situações extraordinariamente perigosas. Atraem-me os impossíveis, e assim nunca nada de bom poderá acontecer.
Ainda estou a caminho da maturidade, e há muitas coisas a resolver na minha cabeça.
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