11.30.2004

Lábios cortados

Doem-me os lábios, e não sei se é do frio, se é do silêncio. Odeio fazer o caminho de casa. Ter de descer a calçada do Carmo, passar pelo Celeiro para comprar o jantar, entrar no Metro dos Restauradores e enfrentar a turba, sair em Sete Rios e apanhar o comboio que finalmente me vai levar a casa. Saio na estação suja e os saltos enfiam-se pelos quadrados da calçada, detesto que o vento me bata na cara, aconchego o casaco maldizendo o Inverno e abano o discman que volta e meia pára de tocar.
Chego a casa para os meus pais e irmãos, apenas. Janto, danço algumas coreografias, tomo banho e vou-me deitar. Talvez aproveite para trabalhar um pouco, adiantar um artigo, actualizar a agenda, desgravar uma entrevista. E é isto, porque na manhã seguinte quero levantar-me cedo e ser mais produtiva. Estou bêbeda com o trabalho porque o resto me parece longínquo.

Hoje penso na viagem a São Francisco, na roupa que temos de preparar para o show do fim-de-ano e nas paredes da minha casa, que tenho de pintar antes de levar as mobílias. Sair de casa, mudar de casa, sair de casa, mudar de casa. Repetir várias vezes até parecer real.
Penso por momentos que uma maior solidão me vai trazer maior conforto.
E depois, aterrorizada, penso que a solidão não é uma escolha minha. É uma fatalidade da minha índole.

11.29.2004

Spirito Libero

Há vitórias que podem ficar só connosco, não temos de as dizer a ninguém. Basta-nos saber que ganhámos e a comum necessidade de o fazer saber aos outros não aparece.
Ok, este não é um desses casos. Nunca pensei muito no meu talento para a dança, gostava e pronto. Depois de começar a dançar, digamos, profissionalmente (meaning: ganhando dinheiro para o efeito) foram incontáveis as vezes que desconhecidos se abeiraram de mim para me elogiar nesse sentido. E de tantas vezes ouvir, acabei por achar que sim, que danço bem, que cativo e agrado (o objectivo é mesmo esse).
Eis senão quando o meu digníssimo "ex", sim, o morto, me apresenta o cenário contrário. «Danças horrivelmente mal», disse ele, «nem pareces uma mulher a dançar». Imaginem o ribombar de trovões e uma pessoa a cair interminavelmente do 354º andar: assim fiquei eu com estas palavras. Mais tarde, um anónimo num determinado fórum achou por bem que havia de tentar pisar-me, e disparou de tudo, desde que eu devia por silicone no rabo até que é deprimente a forma como o "ex", sim, o morto, gozava comigo. E em adição, que eu dançava muito mal.
Estes dois episódios serviram para me desacreditar a mim própria, embora tenha continuado a trabalhar na dança, aí já achando que só gostavam de mim pelas pernas e o decote. Eis senão outra vez quando começam a chover propostas de trabalho, de "agentes" de espectáculos, ou seja, gajos-habituados-à-coisa. Que eu danço muito bem, e que tenho boa imagem, e se não quero deixar o meu contacto.
O último grande episódio foi anteontem, no Kaxaça, onde por acaso estava uma das bailarinas de axé mais mediáticas e daquelas que não deixam ninguém dançar à volta. Eu e a Angel curtimos a nossa, é claro, e nem estranhei os olhares fixos de um loiro platinado que por lá andava. Afinal, o loiro era um "agente" de espectáculos e deixou-me o seu cartão, ainda fazendo questão de que um dos manda-chuvas do Kaxaça assinasse nos nossos cartões de consumo para não pagarmos nada.
Mais tarde, o vocalista de uma banda brasileira telefona à Angel e pergunta se não queremos dançar com eles no fim-de-ano, por um cachet astronómico (a sério!), nos Açores, com tudo pago. A isto eu chamo estrelinha!!!!!
E entretanto, concluo que não dá mesmo para perceber. Como é que há pessoas que me xingam e subestimam tanto no que toca a dançar, e outras me dão a maior moral? Afinal em que ficamos?

11.26.2004

She will be loved

Chego a sexta-feira exausta e pelos cabelos com todas as questões profissionais que se me assomaram esta semana. Espairecer, dançar, beber Red Bull, festejar o meu Sporting, ir ao cinema, fazer compras para a viagem a S.Francisco, prepará-la com todos os pormenores. Não há nada como viagens aos Estados Unidos, são realmente mind changers. E desta vez com a aliciante de ir sozinha, logo sem responsáveis de agências de comunicação ou gabinetes de imprensa atrás de mim. Espero que me marquem avião em primeira classe, senão vou dar em doida nas dez horas de viagem, espero que o hotel seja bom e tenha ginásio, hidromassagem, solário e sauna, espero que a televisão no quarto tenha montes de canais e que a banheira venha com apoios para os braços.
E agora, para quem se interessa por tecnologia, roam-se de inveja, porque eu vou estar nesta conferência com (tchan tchan tchan tchan!!!):
- Carly Fiorina, CEO da HP
- Scott McNealy, CEO da Sun Microsystems
- Larry Ellison, CEO da Oracle,
- Michael Dell, Chairman da Dell
- Joe Tucci, CEO da EMC

São os grandes nomes da coisa e estou muuuuuiiiiiiiitoooooooo excitada porque vai haver uma mesa redonda só para os jornalistas com o Ellison!! Ok, para o comum do mortal isto não diz nada, mas para quem segue a indústria é uma espécie de limbo com todos os deuses... E sozinha, meus amigos, sozinha!
Portanto, da próxima vez que eu começar com lamechices por causa do falecido, dêem-me um estalo virtual, S.F.F.!

11.24.2004

Subir no emprego ou descer na vida...?

Mais tarde saberei se fiz asneira ou não, mas acabo de recusar preliminarmente uma promoção. Ia ganhar mais umas centenas de euros e acabar com uma série de dores de cabeça. Subir uns degraus na escala do jornal ao sair da secção mal-amada para integrar a bemquista. Mas... largar de repente toda a rede de contactos que consegui estabelecer de forma privilegiada? Deixar de escrever sobre tecnologia e passar a teclar sobre os resultados líquidos de empresas? Não quero. Construí um nome numa área com muito esforço e agora não quero abandonar tudo. Gosto do que faço, e chega para justificar que ganhe menos que o que devia.
Sim, há um problema de sobreposição, excesso e abuso de trabalho. Sim, quanto mais eu faço mais esperam de mim, dando-me palmadinhas nas costas porque gostam dos resultados. Sim, isso ia ser diferente na secção de Empresas. Mas eu quero levantar-me de manhã e gostar de vir para o jornal. Quero ter a liberdade para escrever sobre o que acho mais importante. Quero ter a flexibilidade de horário que me permite continuar a dançar na noite (e a completar assim o meu salário).
Portanto, ainda que seja precipitado, digo já que não me parece que vá aceitar.
(fogo, porque é que não sou uma cabra calculista com sede de dinheiro????)

11.23.2004

Ich habe Engel

Tenho anjos na minha vida, essenciais como respirar. Sem eles, eu estaria reduzida à minha Torre de Marfim, absorta no umbiguismo que sempre me caracterizou. Há nomes que sairam e outros que estão prestes a entrar, mas aqui ficam apenas as pessoas que eu adoro acima de qualquer outra coisa e que demonstraram para comigo uma lealdade e carinho sem precedentes.
Pessoas que se mantêm ao meu lado apesar da minha insconstância, egocentrismo, obsessividade, perfeccionismo e autismo em relação à forma das coisas. Que não se fartaram das minhas lamúrias, que não me afastaram quando eu fui demasiado exigente, que souberam aturar cada leviandade e estupidez que fui cometendo ao longo dos dias.

É por isso que as amo de todo o coração e sou imensamente grata pela sua amizade incondicional. A felicidade que reconheço em pedaços da minha vida devo-a também a vocês. São os meus ENGEL.

11.22.2004

When the pawn hits the conflicts

Está um frio reconfortante nesta noite de Domingo. Um frio seco, e as decorações de Natal fazem-me lembrar Berlim no Natal do ano passado. Sinto uma pequena nostalgia, hoje, pelo último inverno. Ainda não o conhecia, ainda não tinha este peso em cima das costas. Mas não quero falar mais dele, nem do que se passou. Há um limite do razoável que eu estou prestes a ultrapassar. Quero ir dormir sabendo que nem tudo é mau, que consigo sorrir, que tenho planos bons para o futuro próximo, que a minha vida continua soberana e à espera do Sol.
(Além de que o Benfica afinal também fez asneira da grossa e portanto este fim-de-semana ninguém ri de ninguém).
Sobretudo, tenho novamente vontade de conhecer outras pessoas. Vontade de novo, de desconhecido, de colorido, vontade de procurar sítios onde as esquinas não falem comigo. E portanto, onde antes eu via um túnel às escuras, agora vejo uma porta por onde quero esgueirar-me, safar-me disto tudo, sair porta fora. Descubro agora que é preciso mais coragem para deixar o carrasco que aguentar a tortura.
E há uma frase que não me sai da cabeça, não sai e não quero que saia. Prestem atenção, porque só vou dizer isto uma vez: YOU WILL GET YOURS.

11.20.2004

Ensaio sobre a saudade

Encontrei uma pen de 64 MB e fui ver o que tinha. Foi a que levei para Las Vegas em Fevereiro. E o que escrevi lá fez-me desabar no momento em que comecei a ler. Era uma mulher apaixonada que escrevia, e então tudo era perfeito. Isto está a doer mais que o previsto... hoje vou passar a noite em claro, a chorar tudo o que tenho para chorar, a sofrer o que tenho de sofrer porque as saudades dele queimam demasiado. Eu sei que acabou, que não há como voltar atrás, mas apenas hoje vou baixar as defesas e deixar-me chorar. Quero enrolar-me num cobertor quente e chorar porque ele desapareceu da minha vida, porque não o vou ter mais, porque o amo tanto tanto que parece que vou ficar louca.
Porque tinha isto de me acontecer? Porque é que as pessoas complicam tanto o que deveria ser simples? Porque é que ele havia de precisar de outras mulheres, com rabos mais perfeitos e mamas maiores, quando eu estava aqui o tempo todo, louca por ele? Eu pensava, em Las Vegas, que tinham terminado as minhas aventuras e que havia encontrado o amor. Afinal... Estúpida.

O texto é muito grande, vou pô-lo no EgoCentro. Assim que conseguir parar de soluçar, é claro.

Egocentro

Duas notas breves antes de me ir enfiar num banho de imersão com 'frecheur d'agrumes': ressuscitei o EgoCentro e estou contente porque não há blogue como o primeiro :)
O F.C.Porto foi com os porcos frente ao Boavista, em pleno Dragão. Isto é impressão minha, ou foi o mesmo Boavista que levou 6 a 1 do Sporting na semana passada? Acho que isto diz alguma coisa. Hehehehehe.

A arte de fingir (...)

O que eu teria sido para este homem é algo inexplicável, mas não há nada a lamentar. Tenho saudades do esperma e da intimidade com que nos tocávamos. Só que ele não sente nada disto, então there is no point. É o fim, com tudo o que tem de trágico e de belo.
posted by Tita at 04:22

11.18.2004

Live through this

When people show you who they are, believe them the first time.

Foi isto que eu não fiz. Ele mostrou do que era capaz e eu não quis ver a verdade. Depois abri os olhos de espanto, como se fosse uma surpresa que ele dormisse com outras, que não me respeitasse. Get real! Não gosto de masoquismo. Estou longe de ser uma vítima. Gosto de mim e tenho a certeza que mereço uma relação à altura das minhas expectativas. Nem quero sequer pensar que perdi algo, ou alguém: quantas vezes é preciso lembrar que não se perde o que não se tem?

Ética é estar à altura do que nos acontece, e eu não estive. Fugi da dor quando devia tê-la enfrentado de frente.
É tudo uma questão de perspectivas e probabilidades. A vida não me passou a perna, eu é que tropecei sozinha.
BE A WOMAN. Face it like a woman. Deixa de ser florzinha de cheiro. STOP BEING A CRY BABY. Senão, serei obrigada a levar o meu sorry ass até uma farmácia e comprar uma chupeta com o Pateta na pega.

11.17.2004

Antes que seja tarde

Gosto de ser Ruiva. Aquilo que de perverso tem a minha futilidade é também o que me prova como sou uma perfeita obra de mim mesma. Gosto da artificialidade que compõe a imagem que eu trago nos olhos dos outros. A ideia de mim: uma boneca de porcelana. Excepto quando acordo ou no periodo pós-berreiro-por-causa-do-rui, adoro principalmente a minha cara. Não me interessa o que dizem as mulheres maldosas. Todos os dias (MESMO todos) dou com olhares (femininos e masculinos) pousados em mim. Como se eu fosse um centro de gravidade. É já tão comum que me lancem olhares desconcertados nas entrevistas e/ou conferências («mas de onde saiu esta?!!») que até acho estranho quando isto não se passa.

Então a questão é: porque raio sou eu tão mal-amada?

Catarse, ou Os Amores da Minha Vida

Isto é o mais próximo de esquizofrénica que alguma vez estive. Voltei atrás, tentei saltar, recuei novamente, como se não tivesse capacidade para saber o que é melhor para mim. Que ridículo. Francamente. Encontro-me sozinha aos 24 anos, e o padrão amoroso que se desenha atrás de mim é absurdo. Escolhi mal os meus homens e não me posso queixar de que tenham sido cabrões comigo, porque fui eu quem os deixou fazer-me isso. Não tenho pena da minha dor. Olho atrás, e o que tenho?

11.16.2004

Live to tell

Ainda com o frio da Invicta na garganta, cheguei a casa pouco preparada para a desilusão. Mas que cansaço. Não suporto mais esta litania, este pesar, este olhar baixo e fatal como o destino. Pois ele foi sair com outra gaja, ou outras gajas, ou com o burro do Schrek, é assim a vida. Não recebi uma mensagem a perguntar se a viagem tinha corrido bem; não recebi um único sinal de que o meu bem-estar lhe interessa para alguma coisa. Então que sentido faz ficar com um nó na garganta de cada vez que sei alguma história desagradável? Pelo amor da Santa, já nem eu posso com isto! Não há pachorra.
Tens razão R, tenho de começar a gostar MESMO de mim, não apenas pela fachada. Tenho de cumprir o egocentrismo que apregoo. Já dizia o outro 'só interessam os que cá estão...'.
Preciso de Madonna e largar de ser tonta.

11.12.2004

Fiesta, o Sol nasce sempre

Entre presságios estranhos e uma vontade enorme de não saber, alcancei uma paz provisória. Daquelas que também surgem um bocadinho quando a nossa vida imediata se sobrepõe à insegurança do futuro. Não fossem as tuas palavras tão sábias, Ana Rute, e eu teria liquidado todos os caminhos por irreflexão. Mas fui exemplarmente tranquila; e então deixei de sofrer.
São outras paisagens que me ocupam a mente, agora. Viajar, dançar, escrever, não fumar, não comer carne, ser ruiva, aceitar o Inverno em vez de desesperar por causa dele.
Na verdade, aquilo que mais me angustia agora é a situação do Sporting. Não vejo caminhos para a saída do buraco, não sei como vamos escalar a tabela para chegar pelo menos à Europa. A derrota de segunda foi mesmo um grande estalo na cara, e o Porto nem sequer jogou por aí além. Tenho de admitir que odeio aqueles gajos quase tanto como odeio o Benfica. Gostava de ser diplomática e saudável, mas não consigo. Perdoem-me os bons amigos que não partilham da minha lagartice, mas é um ponto sem retorno este anti-benfiquismo e anti-portismo. Ele existe em mim nalgum sítio afastado do meu amor pelo Sporting. As duas coisas não se misturam.
E o Sporting será sempre, como foi todos estes anos, a grande paixão da minha vida. Insubstituível.

11.09.2004

Às vezes, o Inferno acontece

Quantas lágrimas são precisas para refrescar a pele massacrada pelo fogo? Estou no inferno, esta noite. Tenho os olhos tão inchados que pareço uma velha, e não uma miúda de 24 anos. Tu não entendes, meu amor, como me destróis minuto a minuto. Não entendes o sacríficio voluntário que faço para te amar como no início. Não entendes como eu amo até essa dor, simplesmente porque o ferro da tortura grava o teu nome. Não gostas que eu seja tão dramática. E é por isso que me calo, e engulo. Será que um dia haverá um homem que se aperceba da grandiosidade do amor de uma mulher? Será que um dia haverá alguém que me ame assim?

O Sporting perdeu, foi uma noite demasiado triste para ser verdade. Estou esmagada. Cubro de verde o meu coração, este amor genuíno tem a cor de Alvalade. O meu coração, pequenino, encolhido, retém-te no seu colo, meu Sporting. Penso em ti, meu anjo, meu demónio, meu Peter Pan que há-de ser a minha vida e a minha perdição na Terra do Nunca, meu amor quase possível (como estás certo, R.!). E hoje, quero apenas dormir sem saber se irei acordar.

11.08.2004

Great Expectations

Há dias em que acordo e tudo em mim é verde: a esperança comove-me. Não apenas nesta segunda-feira porque a paixão da minha vida, o Sporting, tem um jogo muito importante à noite, mas também porque hoje é o dia marcado. Para a minha libertação do inferno que dura há 39 dias. E depois também porque consegui sair da angústia profunda em que tinha entrado no Sábado à tarde, apenas com a força das palavras da minha Angel. Nunca ninguém tinha falado assim para mim. Foi a primeira vez que não ouvi críticas por continuar apaixonada por ele, que não me incitaram a fazer um esforço para o esquecer, que não me culparam por sentir um amor inabalável. Ela falou simples. Esquece o passado, corre atrás do que te faz feliz, ainda que não seja como tu queres. Não critiques a toda a hora, não evoques os erros que aconteceram, não exijas o que nem sabes se queres. Vive esse amor, se não consegues (ou não queres) libertar-te dele.
Eu não quero, na verdade. Faz-me feliz só saber que ele respira. E quase tudo o que me faz sofrer é produto da máquina dentro da minha cabeça, uma auto-sabotagem que procura o pior em todas as palavras. Não quero ser assim, essa pessoa. Eu admito que não consigo viver sem ti, e o bom que tu trazes é incomensurável face às lágrimas que choro de vez em quando.
Deve ser isto: o verdadeiro amor.

Acima de tudo, hoje há sol; ainda que o resto fosse triste, não poderia deixar de ter esperança perante o sol.

11.04.2004

O segundo impensável

Arafat morre um dia depois de Bush ser reeleito e eu recebo a notícia no exacto momento em que estou a escrever um artigo sobre a Telecom Israel 2004. É o 666, o armagedão, o fim dos dias. Ou então é o que a minha editora diz «acorda para a vida, o mundo não é cor-de-rosa!». Então e não pode ser ao menos laranja ou amarelo? Tem de ser cinzento? Em Dezembro vou passear o meu rabo espantado para São Francisco, no OpenWorld da Oracle. E sempre pensei que já não tinha de ver quadros do Bush à saída do avião em Newark. Guess again. Também não estava à espera de 14º e chuva nessa altura. Bolas, é a Califórnia, devia ser proibido fazer frio!
O que será agora dos palestinianos? Conheço Tel Aviv, adoro aquele povo, mas sei do que são feitos os seus governantes e militares. Não compreendem nada a não ser eles próprios. Temo pela Palestina. E novamente digo: «ui qui medo».

11.03.2004

O impensável aconteceu

Os votos provisórios já não são importantes: a Casa Branca confirmou que a vantagem de Bush no Ohio «é inultrapassável». Passei a madrugada de olhos colados na CNN e os ouvidos na TSF, e ainda estou a ter dificuldades para aceitar este resultado. Não são apenas mais 4 anos de Bush. É a descoberta de que mais de metade da América é ultra-conservadora; de que a inteligência estado-unidense consegue manipular o sentido de voto abertamente (exibindo videos de Bin Laden em cima do acto eleitoral e fazendo correr o rumor de que Kerry ganharia, mobilizando aqueles que nem pensavam ir votar); de que a Europa não foi capaz de demonstrar quão escandalosa se tornou a conduta da administração Bush, limitando-se a amuar; de que os Democratas não foram capaz de utilizar a seu favor uma situação de descontentamento que tinha tudo para derrubar Bush. O texano sai reforçado, porque não só derrota Kerry, como se vence a si mesmo - já que em 2000 foi eleito pelos tribunais e não pelo voto popular e desta vez consegue vencer em todas as frentes, apesar de tudo o que fez no primeiro mandato.
É um cowboy a cavalo no mundo. Longe de procurar as causas do terrorismo, ele vai continuar a pensar que pode aniquilá-lo pelo poderio militar. Esqueçam o protocolo de Quioto. Esqueçam a classe média norte-americana (porque ele terá de compensar os industriais que investiram na sua campanha, baixando os impostos para as grandes empresas e beneficiando a classe A).
Resta-me repensar a minha ideia de viver um ou dois anos nos Estados Unidos. Cada vez mais longe desse way of life, reconheço a minha «europeaness» E só me atrevo a dizer: «Ui qui medo»...