Os votos provisórios já não são importantes: a Casa Branca confirmou que a vantagem de Bush no Ohio «é inultrapassável». Passei a madrugada de olhos colados na CNN e os ouvidos na TSF, e ainda estou a ter dificuldades para aceitar este resultado. Não são apenas mais 4 anos de Bush. É a descoberta de que mais de metade da América é ultra-conservadora; de que a inteligência estado-unidense consegue manipular o sentido de voto abertamente (exibindo videos de Bin Laden em cima do acto eleitoral e fazendo correr o rumor de que Kerry ganharia, mobilizando aqueles que nem pensavam ir votar); de que a Europa não foi capaz de demonstrar quão escandalosa se tornou a conduta da administração Bush, limitando-se a amuar; de que os Democratas não foram capaz de utilizar a seu favor uma situação de descontentamento que tinha tudo para derrubar Bush. O texano sai reforçado, porque não só derrota Kerry, como se vence a si mesmo - já que em 2000 foi eleito pelos tribunais e não pelo voto popular e desta vez consegue vencer em todas as frentes, apesar de tudo o que fez no primeiro mandato.
É um cowboy a cavalo no mundo. Longe de procurar as causas do terrorismo, ele vai continuar a pensar que pode aniquilá-lo pelo poderio militar. Esqueçam o protocolo de Quioto. Esqueçam a classe média norte-americana (porque ele terá de compensar os industriais que investiram na sua campanha, baixando os impostos para as grandes empresas e beneficiando a classe A).
Resta-me repensar a minha ideia de viver um ou dois anos nos Estados Unidos. Cada vez mais longe desse way of life, reconheço a minha «europeaness» E só me atrevo a dizer: «Ui qui medo»...
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