Há vitórias que podem ficar só connosco, não temos de as dizer a ninguém. Basta-nos saber que ganhámos e a comum necessidade de o fazer saber aos outros não aparece.
Ok, este não é um desses casos. Nunca pensei muito no meu talento para a dança, gostava e pronto. Depois de começar a dançar, digamos, profissionalmente (meaning: ganhando dinheiro para o efeito) foram incontáveis as vezes que desconhecidos se abeiraram de mim para me elogiar nesse sentido. E de tantas vezes ouvir, acabei por achar que sim, que danço bem, que cativo e agrado (o objectivo é mesmo esse).
Eis senão quando o meu digníssimo "ex", sim, o morto, me apresenta o cenário contrário. «Danças horrivelmente mal», disse ele, «nem pareces uma mulher a dançar». Imaginem o ribombar de trovões e uma pessoa a cair interminavelmente do 354º andar: assim fiquei eu com estas palavras. Mais tarde, um anónimo num determinado fórum achou por bem que havia de tentar pisar-me, e disparou de tudo, desde que eu devia por silicone no rabo até que é deprimente a forma como o "ex", sim, o morto, gozava comigo. E em adição, que eu dançava muito mal.
Estes dois episódios serviram para me desacreditar a mim própria, embora tenha continuado a trabalhar na dança, aí já achando que só gostavam de mim pelas pernas e o decote. Eis senão outra vez quando começam a chover propostas de trabalho, de "agentes" de espectáculos, ou seja, gajos-habituados-à-coisa. Que eu danço muito bem, e que tenho boa imagem, e se não quero deixar o meu contacto.
O último grande episódio foi anteontem, no Kaxaça, onde por acaso estava uma das bailarinas de axé mais mediáticas e daquelas que não deixam ninguém dançar à volta. Eu e a Angel curtimos a nossa, é claro, e nem estranhei os olhares fixos de um loiro platinado que por lá andava. Afinal, o loiro era um "agente" de espectáculos e deixou-me o seu cartão, ainda fazendo questão de que um dos manda-chuvas do Kaxaça assinasse nos nossos cartões de consumo para não pagarmos nada.
Mais tarde, o vocalista de uma banda brasileira telefona à Angel e pergunta se não queremos dançar com eles no fim-de-ano, por um cachet astronómico (a sério!), nos Açores, com tudo pago. A isto eu chamo estrelinha!!!!!
E entretanto, concluo que não dá mesmo para perceber. Como é que há pessoas que me xingam e subestimam tanto no que toca a dançar, e outras me dão a maior moral? Afinal em que ficamos?
Sem comentários:
Enviar um comentário