11.08.2004

Great Expectations

Há dias em que acordo e tudo em mim é verde: a esperança comove-me. Não apenas nesta segunda-feira porque a paixão da minha vida, o Sporting, tem um jogo muito importante à noite, mas também porque hoje é o dia marcado. Para a minha libertação do inferno que dura há 39 dias. E depois também porque consegui sair da angústia profunda em que tinha entrado no Sábado à tarde, apenas com a força das palavras da minha Angel. Nunca ninguém tinha falado assim para mim. Foi a primeira vez que não ouvi críticas por continuar apaixonada por ele, que não me incitaram a fazer um esforço para o esquecer, que não me culparam por sentir um amor inabalável. Ela falou simples. Esquece o passado, corre atrás do que te faz feliz, ainda que não seja como tu queres. Não critiques a toda a hora, não evoques os erros que aconteceram, não exijas o que nem sabes se queres. Vive esse amor, se não consegues (ou não queres) libertar-te dele.
Eu não quero, na verdade. Faz-me feliz só saber que ele respira. E quase tudo o que me faz sofrer é produto da máquina dentro da minha cabeça, uma auto-sabotagem que procura o pior em todas as palavras. Não quero ser assim, essa pessoa. Eu admito que não consigo viver sem ti, e o bom que tu trazes é incomensurável face às lágrimas que choro de vez em quando.
Deve ser isto: o verdadeiro amor.

Acima de tudo, hoje há sol; ainda que o resto fosse triste, não poderia deixar de ter esperança perante o sol.

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