Gosto de ser Ruiva. Aquilo que de perverso tem a minha futilidade é também o que me prova como sou uma perfeita obra de mim mesma. Gosto da artificialidade que compõe a imagem que eu trago nos olhos dos outros. A ideia de mim: uma boneca de porcelana. Excepto quando acordo ou no periodo pós-berreiro-por-causa-do-rui, adoro principalmente a minha cara. Não me interessa o que dizem as mulheres maldosas. Todos os dias (MESMO todos) dou com olhares (femininos e masculinos) pousados em mim. Como se eu fosse um centro de gravidade. É já tão comum que me lancem olhares desconcertados nas entrevistas e/ou conferências («mas de onde saiu esta?!!») que até acho estranho quando isto não se passa.
Então a questão é: porque raio sou eu tão mal-amada?
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