11.12.2004

Fiesta, o Sol nasce sempre

Entre presságios estranhos e uma vontade enorme de não saber, alcancei uma paz provisória. Daquelas que também surgem um bocadinho quando a nossa vida imediata se sobrepõe à insegurança do futuro. Não fossem as tuas palavras tão sábias, Ana Rute, e eu teria liquidado todos os caminhos por irreflexão. Mas fui exemplarmente tranquila; e então deixei de sofrer.
São outras paisagens que me ocupam a mente, agora. Viajar, dançar, escrever, não fumar, não comer carne, ser ruiva, aceitar o Inverno em vez de desesperar por causa dele.
Na verdade, aquilo que mais me angustia agora é a situação do Sporting. Não vejo caminhos para a saída do buraco, não sei como vamos escalar a tabela para chegar pelo menos à Europa. A derrota de segunda foi mesmo um grande estalo na cara, e o Porto nem sequer jogou por aí além. Tenho de admitir que odeio aqueles gajos quase tanto como odeio o Benfica. Gostava de ser diplomática e saudável, mas não consigo. Perdoem-me os bons amigos que não partilham da minha lagartice, mas é um ponto sem retorno este anti-benfiquismo e anti-portismo. Ele existe em mim nalgum sítio afastado do meu amor pelo Sporting. As duas coisas não se misturam.
E o Sporting será sempre, como foi todos estes anos, a grande paixão da minha vida. Insubstituível.

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