Barulhos, parece-me às vezes que tenho todo o barulho do mundo à minha volta. Incluindo os dos fantasmas dos sonhos que matei.
E eu sei que está na hora de os levar para a luz e dizer adeus. Está na hora de sonhar outras coisas, e não lamentar o que passou.
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2.07.2013
2.06.2013
9 million miles
Há quase um ano que não escrevo aqui. Disperso-me aos bocados pelas várias iterações que fui criando por essa blogosfera fora, nada com sentido, tudo adulterado. Não sou eu quem está no meu lugar. Suspendi-me não sei dizer quando, e é como se tivesse um heterónimo a ocupar a minha vida enquanto não me decido a regressar.
Sinto, vezes demais, que segui o caminho errado. O que é que acontece aos caminhos certos quando ficam vazios? Quem é que seguiu por onde devia ter pisado eu? Existirei – tenho a certeza – noutra realidade, nesse caminho, com outra cor de cabelo, com os dedos cheios das coisas que me faltam agora.
Recuso-me a confrontar a parte de mim que sobrevive do antes e me grita "j'accuse!" Se o fizesse, teria de admitir que não estou no sítio onde queria. Não fiz o que devia. A perspectiva é enviesada. Tudo o que era colorido e me fazia feliz desapareceu, mesmo ainda existindo agora. Falo sobre isto e sinto aquela recriminação camuflada, de quem vê de fora e não compreende o que está errado.
Ora.
Eu também não sei.
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