A antecipação deste fim-de-ano foi muito entusiasmada. Eu e a Angel fizemos roupas especiais para o show com a banda brasileira, embarcámos naquele avião esperando tudo de bom. Mas algo estava a bater errado desde o momento em que batemos os olhos nos elementos da banda que não conhecíamos. Muito sem piada, sem sal, sem carisma. Adiante. Não tínhamos dormido nessa noite e só queríamos chegar ao hotel e deitar. Que foi o que fizemos... até à hora do lanche, altura em que fomos almoçar (!), fazendo tempo para o momento de partir para Povoação, a terra onde íamos dançar.
Aqui é que o bicho pegou... esperava-nos uma hora e meia de curvas e contra-curvas, com nada em volta a não ser mato. A meio da viagem, alguém gritou em sotaque brasileiro: «pára!pára!». E repente um cheiro nauseabundo inundou as nossas narinas. O rapaz do cavaquinho vomitava copiosamente na carrinha em andamento. Tá a parar no meio do nada, com toda a gente a sair e a vomitar por associação, por nojo. Consegui controlar-me, mas tive de ir o resto do caminho a tiritar de frio, com as janelas todas abertas, para arejar a coisa.
Chegados à Povoação, demos com o palco virado... para a estrada. Mau. E onde é o camarim? Era um barracão verde improvisado nas costas do palco. Mau mau. Depois de angariarmos umas cadeiras, luzes, mesas e águas minerais, ficámos a olhar uns para os outros, a fazer piadas com o cenário, decidindo ir passar as duas horas que restavam até à meia-noite para a única tasca que estava aberta. Péssima ideia!!! Fui várias vezes apanhar o queixo ao chão. Que maralhal de homens feios, feios, feios, de carantonhas mal barbeadas e porcas, fumando e bebendo que nem gente grande. Pareciam parados no penúltimo degrau da evolução da espécie. Olhavam-nos com olhos gulosos. E não se conseguia ver um exemplar com uma fiada de dentes completa. Unbelievable.
De modo que às onze e meia eu e a Angel estávamos de volta ao barracão, para começar a vestir.
(...)
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