12.13.2004

Insomnia

Cinco e vinte e seis da manhã, não consigo dormir mais. Entre sonhos confusos e uma sensação de que "something is hapenning out there", a minha cabeça não consegue descansar. O meu projecto é tão feroz e tão sacrificante que toma conta de todos os pensamentos. Até porque eu consigo ver a extensão dos resultados, e torna-se difícil não ficar obcecada por eles.
Por outro lado, penso no Duarte. Tenho ciúmes daquela ex-namorada que veio passar cá as férias do Natal e não lhe larga o telemóvel. Mesmo que ele me diga que já não sente nada, que ela foi uma vaca com ele, há sempre uma pontinha de dúvida: e esta ponta dá cabo de mim. R, toda a razão, obsessiva-compulsiva. Não deixo que isto me afecte demasiado, aprendi muitas lições úteis ao longo do último ano e estou a pô-las em prática. Também me apraz fenomenalmente que tenha sido ele a vir atrás de mim, depois tudo o que eu batalhei e que julguei ter perdido. Confesso que não pensava que isto fosse possível. O Duarte, a grande paixão da minha vida, a telefonar todos os dias? «Olho para a frente e vejo-te a ti», disse-me, «e se é a ti que quero, vou atrás, sabes que sou muito directo».
As voltas que o mundo dá só surpreendem os mais desatentos. Afinal, não precisei de fazer nada para conseguir aquilo que em dois anos não me foi possível. Apenas existir. Porque será que ele não me esqueceu? Porque será que marquei tanto uma pessoa que é de longe a mais bonita e perfeita que já conheci ( e não, não estou a ser exagerada nem injusta com ninguém)?
Quando penso nas pessoas que me traíram ou me fizeram mal de alguma maneira, percebo que o problema foi eu ter colocado demasiado altas expectativas que nunca poderiam ser cumpridas. Esqueci-me que quanto mais baixo é o nivel intelectual e emocional, maior a probabilidade de não perceberem quem é realmente importante. Além do mais, a merda atrai a porcaria, portanto não posso surpreender-me de todo quando sei que fulano se meteu com sicrana. É tudo bosta da mesma vaca.
Livre, portanto, destes inconvenientes, e em paz com o meu passado, quero mesmo ser para o Duarte o que pretendo que ele seja para mim: tudo. Nem me venham com conversas de que isto é romantismo ultrapassado e que hoje a moda é namorar pelado (kkkkkkkkkk). Eu quero ser assim, mulher de um homem só, um tesouro nas suas mãos, quero que ele levante as mãos ao céu e agradeça todos os dias por eu estar com ele. Nenhum amor existe se o seu objecto não for sobrevalorizado. And I love him so dearly!

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