10.26.2004
Vento nos pés
A minha fuga para a frente tem um sentido óbvio de denial. Vou a caminho do precipício de onde já caí, como uma gata que esqueceu onde se escaldou. Pestanejo confusamente ao assomar-se a sua presença, busco-o sem saber por que razão não desisto de procurar maçãs em árvores mortas. Odeio-o variadíssimas vezes durante o dia; quase não suporto a vontade de o esmagar dentro da minha cabeça. E depois amacio, tal criança chorosa a quem dão gomas às cores. Entretenho-me, portanto, a imaginar que tudo seria perfeito entre nós, como era no início, quando não existia mais ninguém no nosso mundo. Estendo os cabelos na almofada, cerro os olhos e por instantes que não pertencem à realidade consigo tocar nesse amor profundo que sinto por ele, o amor que nós seríamos se ele me amasse também. Don't tell me because it hurts. Saber que acima de todas conquistas da minha vida, fui incapaz de ser amada pelo único homem com quem queria passar o resto dos dias. Thanks for watching as I fall. E que agora terei de procurar outro nome, outro corpo, outra alma para me entregar. E que enquanto eu viver, esta mágoa não irá desaparecer. I guess I will allways love you.
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