3.02.2009

(Can't) Break the girl

Estou nesse lugar estranho que é a revolução-a-meio-caminho. É como se tivesse já entrado com os canhões pelo largo do carmo adentro, mas estivesse agora a fazer tempo para os estacionar convenientemente. Tenho o horrível defeito de olhar para trás com admiração, de esquecer rapidamente os tédios e as dores e as queixas, pensar que antes-é-que-era. Combato o saudosismo todos os dias, dentro e fora de mim. Passei as últimas três semanas a deitar coisas para o lixo, num assomo de coragem que nunca tinha tido. Preciso de limpar o espaço à minha volta, deixar que a vida nova aconteça. Não posso querer tornar-me uma pessoa diferente, querer realizar a projecção-de-mim, se fizer sempre tudo da mesma maneira.

Estou a experimentar algo diferente. Aceitei o trapézio sem rede. Encho sacos de pequenos ícones do passado e atiro com eles no caixote do lixo. Preciso que o passado me abandone, preciso de meter os dois pés no futuro.

Preciso de sentir que os meus 28 anos são vividos por dentro e por fora. Que os dias passam com o gozo e a excitação do dever cumprido. Que não falto um único dia ao ginásio. Que consigo ir dançar no fim-de-semana. Preciso que tudo isto valha a pena, e a felicidade que já atingi saiba mutar-se continuamente.

Ou melhor, preciso de saber reconhecê-la noutros sítios, com outras caras e outros nomes. Preciso sempre de saber o que me faz feliz.

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