O sol conforta o frio que quase não faz. Caminho pelo Carmo como se não fosse Dezembro, como se fosse outro mês qualquer. Já não tenho a doce companhia dos cigarros, e agradeço a maior parte do tempo. Nem sempre. Fazem-me falta quando desço cosida com as paredes quando anoitece cedo. Deixei de ir sentar-me nos cafés a pensar com o fumo em volta. Deixei de ir escrever para a beira da praia. Se não tenho cigarros, é como se não tivesse parte da vida emocional. Não quero pensar porque me recorda o gosto da cinza.
É como se tivesse sido ontem - a última vez que acendi um cigarro. Mas tenho de reconhecer: já não tenho idade para me permitir a beleza de ser decadente.
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