Várias vezes a minha imagem se tem assomado em lugares inesperados e surpreende-me. Num retrovisor embaciado, em montras que fazem esquina, nos olhos de quem me apaixona. E gosto, inesperadamente, daquilo que vejo. Não é tanto por esta ou aquela roupa, nem por este ou aquele baton, mas porque pela primeira vez aquela sou eu. Perdi a conta aos anos que andei a lutar contra mim, odiando-me baixinho por não ser como "all the pretty people". Nunca deixei o cabelo encaracolar, nunca saí à rua sem maquilhagem, nunca suportei que me tocassem, e nunca consegui decalcar-me daquilo que pretendia. Nos últimos meses, isso mudou. Talvez porque cheguei aos 25 anos, e de repente sou completamente adulta. Algo muda de facto com a idade? Continuo a ser viciada no artificial: brilhos, mates, colorações, eyeliner, gloss, verniz, saltos, correntes, e tudo o que me possa cobrir para caracterizar por fora o que sou por dentro. A diferença é que eu agora gosto, e olho para mim como se fosse genuína. Ainda não tinha materializado este sentimento por palavras, vinha-o só sentindo nos últimos tempos. E eis senão quando entro por acaso no site da Alex, que eu gosto tanto de ler, e vejo espetada no post do dia exactamente esta percepção. Pasmada. Não consegui fugir à necessidade de o escrever, até porque me senti plagiada, como se a Alex tivesse percebido o que eu senti e se antecipasse a escrevê-lo.
Somos todas iguais, no fundo, e odeio a ideia de que os meus sentimentos não são únicos, originais e intransmissíveis.
Por mais injusto que pareça, eu quero ser mais EU, e mais que qualquer outro eu.
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