1.08.2006

Lolita

Sinto-me como se tivesse apenas metade da minha idade. Apetece-me o fresco na cara de manhã, o doçamargo do sumo de laranja natural, abrir a persiana para ver o sol enquanto me espreguiço às três da tarde, e é como se não tivesse uma Estória para trás. Tudo novo, tudo inédito, tudo virgem. A paixão que ele me desperta arrasa o passado de forma tsunâmica, e eu sou como uma lolita endiabrada à espera de saber amar.
Ética é estar à altura do que nos acontece. E ele, a mim, está a acontecer-me. Não sei se estou à altura. É por isso que finjo que não me abala o coração, é por isso que não tremo quando ele me abraça e me beija.
Está perto, demasiado perto, tão perto que o precipício olha para dentro dos meus olhos.

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