12.14.2013
Northern Lights
Não vi a aurora boreal enquanto mergulhava os meus segredos na água quente e olhava para a neve em volta. A contradição. O calor imenso no meio do frio mais gélido e insuportável. Pensava em ti e não conseguia arrancar de mim este frio cortante, este desconforto, ao mesmo tempo tão belo e apelativo. Quando o corpo sofre, a mente acalma. Regressei para dar mais uns passos em direcção ao abismo, e estou quase lá. Como é que faço para parar? Como é que volto para trás? Como é que evito aquilo que é tão provável – vais dar um passo atrás, não saltarás comigo, não tens coragem. Falta-te o apetite pelo desconhecido. Better the devil you know. Depois disso, eu vou deixar de ter fome, vou ter um nó constante na garganta. Vou arrepender-me, vou vaguear sozinha pelos cafés desta cidade, em busca de um café tão forte que me console todas as mágoas. Mas não vou chorar. Estou a antecipar o salto, a queda, a dor e os ossos – porque esta é a minha natureza trágica, a de esmagar flores com os pés quando as tento regar. Porque deixei de acreditar que mereço as flores, e as que tenho na jarra da entrada de minha casa não mas deram, comprei-as. Nada nunca me é dado. Tenho de forçar. E desta vez, não sei se aguentas o pé na porta.
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