7.03.2013
Urgência
Perguntam-me: "O que se passa contigo?". Dizem que perdi o brilho. Perdi o sol. Calei-me. Eu respondo com coisas factuais, coisas negativas que me foram acontecendo e que, à superfície, justificam um certo comportamento taciturno.
Mas na verdade, os ataques constantes tiveram finalmente resultado. Juro que não sei como fazem as pessoas que estão expostas a isto todos os dias. Celebridades, políticos, artistas. Todos os dias a levarem paulada, a serem insultados, gozados, culpados. Não é que eu tenha dito a alguém: "muito bem, tem razão, sou uma idiota, não valho nada, o melhor é desaparecer." Não o disse. Mas sinto-o, mesmo que tente calar esse sentimento. Não respondi aos emails cheios de ódio, que me informaram da minha total inutilidade no mundo e do quão palerma sou. Não respondi, porque não sei o que responder. O que se responde às pessoas quando nos tentam destruir? Como se argumenta com alguém que nos chama idiota, burra, palhaça, inútil, infantil, e daí para baixo?
Não há resposta possível para isto. Eu finjo que não me atinge, finjo para mim própria, sublinho que há problemas mais importantes a resolver, contrario-me mentalmente, tento focar-me no que é realmente grave. Mas estas vozes que me sopram insultos ressoam num recanto da minha alma. Gostava de ser insensível, e forte o suficiente para não ligar.
O meu problema é que não consigo ser má para as pessoas que são más para mim. Não consigo ir a redes sociais retribuir insultos. Não consigo passar horas a tentar deitar alguém abaixo. Não consigo ter essa frieza em mim. Por isso, calo-me. E esmoreço.
Diz uma amiga minha que não é saudável guardar isto, não é saudável aguentar isto, não é saudável remoer nisto. Pois não. Por isso é que perdi o brilho.
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