4.25.2011

Ar

Ouço canções de Abril na televisão com má recepção, enquanto as brasas morrem na lareira e o meu cão dorme debaixo da mesa, em cima dos tapetes velhos que vieram da casa antiga. Tenho as luzes acesas dentro da cabeça; escrevo sobre o mundo, e no entanto o pensamento escapa-se continuamente e procura o teu nome. Nunca gostei de ninguém com o teu nome. És único de tantas formas que me atordoas o espírito, recuso-te e procuro-te com a mesma intensidade. Todos estes dias confundem o que acho ser a minha vida. Caíste-me do nada, mas não és livre; os beijos que me dás não são só meus; vens ao meu encontro, mas não sou o único destino. Deixas-me consumida pela culpa e apetece-me rejeitar tudo num rompante, gritar que não sou segunda escolha de ninguém, mandar-te de volta para onde vieste.

Depois tropeço no que sinto por ti.

Não sei o que quero de ti, na verdade. Quero que a deixes por mim? E depois, deixas-me por outra? Duvido que sejas diferente para mim, diferente do que estás a ser para ela. Duvido que me ames como eu quero ser amada. Duvido que aceites a chuva torrencial que eu tenho para trazer à tua vida, em vez dos chuviscos que tens tido.

A única coisa que sei é que me ocupas o coração, e me fizeste despojar das peles que me rodeavam antes de te conhecer.

Eu sei que não sou única para ti. Mas os beijos que tenho para dar, só dou a ti.

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