Chove com a tristeza indolente de um Fevereiro inútil. Este frio que se apega a mim, quando saio já escuro para a calçada, diminui a minha vontade de existir para o mundo lá fora. Ao contrário do que sempre acreditei, noites de sofá e creme dourado na pele fresca podem ser mais atractivas que a exploração das vitrines na noite. A montra dos meus vícios existe só para ti, e se estás comigo não preciso de mais ninguém. Faço um esforço para me manter atraída, para que não morra em mim esse mundo exterior que sempre me seduziu. E no entanto, sinto-me a fugir para as quatro paredes em que só respiras tu. Sinto-me a preferir deitar a cabeça no teu ombro grande, enquanto me chamas "princesa" e "minha pequenita", e fazes carícias festivas nas minhas pernas. Ao invés de escolher a multidão e o que ela me pode dar.
Se me levanto cedo para ir ao ginásio; se bebo soja em vez de leite; se procuro aproximar o meu estilo ao que tu gostas; é só porque o teu amor me transformou irremediavelmente numa pessoa diferente.
Aprendi a lutar contra as minhas idiossincrasias, o meu orgulho, a minha mania de tudo saber e tudo fazer sozinha. Fizeste nascer o desejo de ser tua, e apenas tua, fiél até que o tempo se esgote, mãe dos teus filhos e mulher no teu nome. Ensinas-me continuamente que a tua inteligência emocional bate a minha irregularidade aos pontos, e que não é por eu ter visto meio mundo que sei lidar melhor com os sentimentos.
Finalmente. Fizeste-me aceitar que o Amor é uma coisa grande e bonita, que nos melhora ao invés de sufocar. Tudo o que tive antes foi uma amostra ridícula. Porque o amor, se não é igual em ambas as partes não é amor. É um engano.
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