Entre apagar ou reviver, encontro-me no limbo de quem não sabe o que fazer com a sua história pessoal. Seguindo Mikhail, devo recontar tudo até à exaustão, para que me esqueça do que passou. Seguindo a minha tendência tradicional, devo guardar cada pedaço para que não perca as lições aprendidas.
A verdade é que as pessoas desse passado desapareceram, não existem mais. Estão imutáveis lá atrás. No que se transformaram, faço lá ideia. Hoje são outras, não as conheço, não saberia o que lhes dizer se me interpelassem.
Trocam de posições, os peões do meu jogo de xadrez, conforme a altura emocional em que me encontro. Neste quase-Dezembro em que o frio chega finalmente, tenho umas saudades que apertam da Ângela, a minha terá-sido-amiga. Não exactamente dela, que hoje nem imagino como seja, mas de quem ela se revelou enquanto foi minha amiga. Insubstituível, o seu lugar. Simplesmente fechado.
Lembro-me de que o esforço que fiz para me libertar foi o mais violento acto de renascimento que poderia ter concebido. E então, recordo-me com cheiros bons, praia, noites a dançar, creme de papaya, mil projectos e mil decisões. O meu cérebro fervilhou para esconder a desgraça em que o coração se encontrava. Não foi fantástico? Descobri-me diferente por desamor.
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