8.05.2005

Devolução

Devolve-me os dias em que foste querida para mim, esses aglomerados de horas em que o teu nome me pareceu sagrado. Retiro-te com agrado e sem pestanejar o estatuto ANGELical que, vejo agora, nunca mereceste.
Não te tornaste, por meu poder, mortal. Apenas enterrada entre as ruínas estéreis que tenho perdidas na memória.
Derramo-te na cova sentimental sem nome nem história, sem tempo de emoção para dedicar à traição que escolheste. E deito fora com arrazoado desgosto tudo o que me deste, sorrindo a espaços face ao veneno que destilaste e eu desprezo.
Porque me vejo perante a mais sombria cor de um ódio aceso à luz da incompreensão. Caminha para fora do meu espaço de expiração enquanto eu ainda recordo o passado.
Na hora em que me fartar dele, o teu nome amaldiçoado será esquecido por Deus , queimado pela tua própria pele.

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