Se ontem pudesse ter ordenado ao tempo que corresse em meia velocidade, ser-me-ia dado em fotogramas lentos e absurdos o espectáculo de uma decepção. Poderia ouvir em sons distorcidos palavras de ódio, que foram parar ao buraco negro das memórias que eu escolho não ter. Desprezo toda e cada palavra que me foi atirada como uma cuspidela de raiva, mas compreendo que a inimizade profunda, absoluta e irreversível que nos desune descende da incompreensão. Os motivos desvanecem-se pelo meio da nuvens de confusão que terceiras partes lançaram sobre nós. Diz-que-disse, leva-e-trás: nada poderia ter sido diferente.
Cresce em mim um sentimento de ódio muito pouco saudável, cresce em mim a vontade de bater, esmagar, pontapear, estrangular o pescoço daquela maldita que eu espero que se lixe imperialmente em todos os aspectos da sua vida - mas que lhes sobreviva, para assistir de pé ao meu triunfo. Eu quero pisá-la quando ela estiver no chão, quero que sinta o peso do meu calcanhar na sua cabeça, e que saiba, em todos os momentos, que vai pagar para o resto da vida por aquilo que me fez.
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