3.09.2005

My happy ending

Não percebo muito bem o quer dizer a mítica expressão "Final Feliz". Parece-me ser uma contradição em termos, e espanta-me que até hoje ninguém tenha aberto os olhos para esta realidade espampanante. Mas será um ataque geral de miopia?! Helloooooooooo! Em primeiro lugar, nada na nossa vida se mantém inalterado, eternizado, imóvel ou conservado em âmbar. A vulnerabilidade dos estados de coisas é algo que me faz entrar em pânico nalgumas situações, mas compreendo que aquilo que quero neste momento pode perder todo o sentido daqui a uns tempos, portanto: be careful what you wish for.
Em segundo lugar, a felicidade é um estado e não uma qualidade ou um 'asset' que se pode conservar. Vai-se construindo com pequenos elementos, dia-a-dia, e são poucas as vezes em que se sente o seu estado puro.
Em terceiro, nunca vi um final que determinasse, por si só, o início de uma felicidade constante (a não ser uma maratona extenuante, uma perseguição policial bem-sucedida ou eventos imprevisíveis deste género). O mais preocupante na condição humana é que sempre que acaba alguma coisa "bem" vai à procura de algo mais difícil para fazer e acabar. Isto numa espiral interminável de projectos e insatisfações, que só chegam ao final quando esticamos os botins.
Portanto, continuo à espera de alguém que me explique como é que pode suceder um "Final Feliz".
Eu, neste momento, estou à espera de um "Final Provisoriamente Satisfatório", relacionado com a minha chamada ao gabinete do director para me informarem que me vão aumentar o salário. 100 euritos? Vá lá...?

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