11.17.2008

Ponto de fuga

Sento-me aqui a desperdiçar tempo, como se fosse novamente sexta-feira. É um luxo chegar a casa antes das 22h00, poder jantar, sentar no portátil a vaguear pela net que não tenho durante o dia. Estou cansada. Aborrecida. Com vontade de desistir, ainda que discuta comigo por essa tentação. Já passei bem pior. Enfim, ninguém descobriu até hoje como acabar com as cavalgaduras, e seria sorte demais estar rodeada só de pessoas competentes, humanas e agradáveis ao contacto. Na verdade, essa é a excepção; passa-se que a regra é o mal-estar, a piada humilhante, o jogo de quem é mais bruto com quem. Passa-se que a todo o momento são postas em causa as capacidades que se julgam ter, passa-se que a todo o momento tenho de recordar-me que nem toda a gente pode gostar de mim e do meu trabalho, e isso não diz mal dele. São feitios, tento dizer-me, recordando-me que até o Einsten era um gajo considerado burro na adolescência. Tento relativizar, pensar em como a vida é curta e a Rute morreu com a minha idade. Repito várias vezes impropérios mentais, e tenho na minha cabeça essa vitória: o poder de lhes chamar filhos da puta, cabrões e rabetas quantas vezes quiser. Nas aulas de Body Combat, imagino as suas fuças ridículas a serem castigadas pelos meus punhos ferozes, e alivia-me. Tenho esperança que aquela máxima de que a justiça tarda mas não falha se aplique um dias àquelas bestas. Não há melhor remédio para um canalha que provar do próprio remédio, e eu só espero que um dia alguém lho esfregue bem naquela cara parola.

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