Horas seguidas sentada nesta cadeira, com a parede por trás a proteger-me as ideias. Resulta que chego ao carro, no final destes dias insanos, cheia de dores nas pernas. Com os músculos entravados. Admira-me que esta gente não vá ao ginásio, e passe aqui o dia inteiro reduzida a cinco metros quadrados. Deve ser isto que sente o meu cão, durante o dia, quando fica metido na varanda. Não sei se lhe apetece correr, se gosta de ficar esparramado ao lado do banquinho que usa para auto-satisfação. Mas se quiser correr, não pode. E só isso chega para afligir. Quero sair daqui, respirar ar puro, e estou sempre metida entre pilhas de jornais, calendários, canetas e cadernos de apontamentos.
Dói-me o rabo, e é aí que percebo que estou sentada no computador a dar cabo da vista há demasiado tempo.
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