7.04.2007
Herói
Sei que não merecias sofrer assim, é tão injusto que me sufoca e a voz desaparece entre os gritos que abafo. Os soluços sobem-me à garganta, mas só depois de me vir embora. Não quero que me vejas chorar. Não quero que penses que está tudo perdido, que nos vence a angústia. Sorrio para ti, afago-te as mãos, passo a mão pelos cabelos que enbranqueceram de repente, e dou-te beijinhos na testa. Estás frio, sempre frio e a transpirar. Os teus olhos, quase sempre amarelos, têm anéis negros e profundos em volta. A dor plasmada no teu rosto e nas tuas rugas. Tão injusto. Tudo o que passaste na vida não te preparou para uma tamanha provação. O corpo revolta-se contra o que lhe fizeste. E eu revolto-me também, imploro a Deus que te salve e te ajude a resistir. Preciso tanto de ti, pai. Por favor fica comigo.
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