Com o perfume do Amor, sinto também a náusea dos ciúmes. Contorcem-me o estômago como se eu tivesse um monstro dentro de mim e ele me torturasse as entranhas sorrindo. A minha imaginação viaja para onde não quero, tento parar, voltar para trás, não pensar no que passou, mas é inútil. O anjo mau dentro de mim obriga-me a ver na minha cabeça tudo aquilo que me faz vomitar, e só depois de me ter nauseada, abandonada a uma convulsão extrema e com o coração em farrapos, desaparecem essas imagens absurdas que eu nunca vi, mas imagino sem cessar.
Não suporto pensar que alguma outra epiderme possa jamais voltar a tocar-lhe. Na verdade, não suporto que lhe tenham tocado, que lhe toquem ainda, mesmo que de forma inocente. Ele não pode existir para mais ninguém. Eu sei que é injusto, é irracional, é infantil e condenável, mas tudo o que o rodeia desencadeia turbilhões de ciúmes dentro de mim, e eu arranho as paredes, esvazio o meu olhar, recuso o seu abraço, enojada. Penso em desistir, afasto-o de mim, fecho as pernas com força.
Mas desisto no momento em que os seus olhos verdes sobem ao meu castanho mirar. É que eles traduzem uma verdade que os seus lábios jamais poderão indiciar. Vou confiar nele de forma cega e despudorada. Porque eu prefiro que ele me engane, a desconfiar da sua fidelidade.
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