Nunca como agora, quase 4 meses depois de sair de casa, entendi tão profundamente o significado da palavra "poupar". Tem sido um sufoco. Pagar prestação de carro, passe, água, luz, telefone, internet, gasóleo e ainda querer ir ao Feira Nova do Sintra Retail Park comprar alimentos é quase impossível. De modo que tenho sobrevivido com a ajuda do dinheiro da dança e com os donativos generosos da minha mãe, na forma de leite, queijo fatiado, conservas tipo atum e milho, bolachas e alfaces. Neste momento, penso em absoluto que os iogurtes líquidos e os sumos de laranja Epaminondas são um autêntico luxo.
Vejo-me obrigada a poupar também no uso de cremes, maquilhagem e gel de banho da Sephora. Uma pequena quantidade, bem espalhada, serve perfeitamente. E quem disse que é preciso ir a 120 no IC19? Nada disso. Vai-se a 80 e se alguém perguntar é porque estou a cumprir os limites de velocidade. O gasóleo dura mais e as paragens na BP da curva do Cacém tornam-se menos frequentes.
Há toda uma arte em ser "remediada" no quotidiano e "excêntrica" nos raros momentos em que tal me é permitido. Por exemplo, as ajudas de custo que recebo do jornal quando viajo são quase sempre divididas entre a conta a prazo e as lojas duty free dos aeroportos, nas quais posso adquirir produtos acima da média por menos euros (ou dólares, dkk, o que for).
Em contrapartida, nunca apanho táxis lá fora: vivam os airport shuttles e os city buses. Também nunca janto fora, armazeno cuidadosamente na mala de trabalho frutas, sumos, pão e tudo o que for possível durante os almoços no centro de imprensa.
Enfim. Truques de uma suburbana desesperadamente a tentar ser burguesa.
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